segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ainda sobre impessoalidade...

Bom, aproveitando o texto anterior, vou colocar aqui uma crônica minha (inspirada na crônica "João, Francisco, Antônio" de Cecília Meireles) acerca de verbos considerados impessoais quando exprimem tempo. Leiam e comentem o que acham da crítica e dessa forma diferente de se analisar tais verbos. Apreciem!


Ter, Fazer, Haver

Ter, fazer, haver é um verbo que, no Brasil, é atacado com certa frequência. Isso porque podemos usá-lo indicando tempo: “Têm/Faz/Há dias que não vejo ele.” Porém, nem todos conseguem ver essa verdade.
Ter, fazer, haver costuma ser estudado como um caso particular, uma das condições para a formação de oração sem sujeito: um termo essencial, mas que pode nem mesmo existir! Como pode? Ter, fazer, haver não tem culpa disso, é apenas um verbo! Ter, fazer, haver costuma ser hostilizado pelos gramáticos, ao mostrarem que não pode ser usado no plural, pois isso é um erro imperdoável! Ter, fazer, haver é até chamado de impessoal! Como pode?
Ter, fazer, haver só quer fazer parte da fala comum dos brasileiros, tanto da fala informal, quanto da fala formal. Ter, fazer, haver sonha em aparecer na escrita e, principalmente, numa gramática com o nome de brasileira.
Apesar de tudo, ter, fazer, haver é muito respeitado, sim senhor! Respeitado e valorizado pelos linguistas, seus maiores amigos e defensores. Tudo o que ele quer é uma chance de mostrar a sua importância, a sua marca comum e corriqueira, a sua naturalidade.
Ter, fazer, haver também é famoso: aparece nos noticiários, nos jornais, revistas, outdoors, e até na internet! Ter, fazer, haver até já foi tema de trabalho científico, de pesquisa, de debate... Já apareceu em muitos livros importantes! É colega dos jornalistas, dos professores, dos escritores, poetas, dos jovens, dos adultos... É amigo do Chico Buarque e, pasmem, até mesmo do presidente! Ter, fazer, haver é muito conhecido!
Não quer forçar, não quer obrigar, não quer ditar... Não quer dizer o que é certo ou o que é errado, somente busca o seu lugar no mundo! Ter, fazer, haver trabalha muito, ganha pouco, sofre, chora, às vezes passa fome, frio, é vítima de preconceito, sempre espera pelas promessas durante as campanhas políticas... Só quer mesmo uma educação de qualidade, saúde, segurança, uma vida digna e sem tristezas! Ter, fazer, haver só quer ser feliz... Isso é pedir demais?

Ter, fazer, haver não tem culpa disso tudo. Ter, fazer, haver é heterogêneo, mutável, adaptável, sofre variação e mudança. Enfim, ter, fazer, haver é companheiro dos brasileiros, ambos andam juntos, lado a lado, e estão desde sempre amarrados. E digo mais: essa é uma amizade que não pode ser desfeita!

Impessoalidade

Boa noite! Tudo bem?

Bom, vou falar hoje sobre o uso de alguns verbos ditos impessoais, ou seja, aqueles que não se ligam a nenhum sujeito.

Normalmente, o verbo “haver”, quando exprime o sentido de existir, é sempre impessoal e invariável (Havia pessoas na manifestação). No entanto, o verbo existir, se usado numa oração, não é impessoal, possui sujeito e varia (Existiam pessoas na manifestação). Observe agora esta belíssima canção do grande Lulu Santos:



Há alguns versos interessantes na letra dessa música os quais merecem atenção:

“Não existiria som se não houvesse o silêncio/ Não haveria luz se não fosse a escuridão (...) Tem certas coisas que eu não sei dizer”

Vejam os verbos desses versos: o primeiro deles é “existiria” e seu sujeito é “som”; “houvesse” e “haveria” são impessoais, portanto, não precisam de sujeito. Agora há dois verbos (fosse e tem) os quais, nesse contexto, podem se trocados por “haver” ou “existir”.

Não está contemplado nas gramáticas normativas o uso desses verbos desta maneira, o que nos leva a pensar que se trata de um uso legítimo e próprio do Português Brasileiro. Além disso, no caso do verbo “tem”, é preciso que ele venha acentuado (Têm), pois há um sujeito posposto no plural.

Agora, observem esta canção do grupo Falamansa:



Vamos analisar a primeira estrofe da música:

“Não haveria guerra, se não fosse a ignorância./ Não haveria acordo que não fosse a paz./ Eu poderia até andar descalço pela rua, / Não haveriam cacos pra cortar os pés”

Aqui, temos o verbo “haveria”, nos dois primeiros casos, usado da maneira contemplada pela gramática, ou seja, impessoal (com sentido de existir) e invariável. O verbo “fosse”, entretanto, não funciona do mesmo modo nas duas ocorrências: no primeiro caso, pode ser substituído por “haver” ou “existir”, mas no segundo caso é um verbo de ligação, ou seja, o acordo poderia ser a paz, seria a paz, é a paz.

Ao final, observamos que o verbo “haveria”, apesar de ser impessoal, está no plural! Como pode isso? Em variedades mais populares da língua, as pessoas conjugam o verbo “haver” como se fosse outro verbo qualquer, porque muitos falantes desconhecem o que é um verbo impessoal. Eu pergunto: qual o problema de se usar esse verbo no plural, mesmo sendo impessoal? Talvez ele não seja tão impessoal assim... Talvez o falante, que é inteligente e conhece muito bem o idioma que usa, tenha criado uma nova forma de se usar esse verbo, não como impessoal, mas como um verbo que pede sujeito. No caso da música, talvez seja apenas “licença poética”, mas creio que se trata de uma situação de mudança linguística em curso...

Enfim, há tantas formas de se usar os verbos e haverá(ão) muitas possibilidades no futuro. Têm muitas coisas que precisam ser explicadas...



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Vai entender...

Boa noite!

Pessoal, hoje vou escrever sobre um tema bastante polêmico e que sempre gera dúvidas entre os alunos, além de causar discussão entre os professores de gramática: a Voz Passiva.

A princípio, vamos entender que uma oração estará na voz ativa quando houver um sujeito ativo que pratica alguma ação (Meu tio aluga salas). Já a voz passiva pode se apresentar de duas formas:

a) Voz Passiva Analítica: Meu tio aluga salas → Salas são alugadas pelo meu tio, na qual o objeto direto torna-se sujeito paciente da oração, o verbo torna-se locução verbal (com o auxílio dos verbos ser, estar e ficar) e o sujeito da voz ativa torna-se agente da passiva, sempre preposicionado;

b) Voz Passiva Sintética: Alugam-se salas, na qual não há agente da passiva, apenas o verbo (transitivo direto ou transitivo direto e indireto) seguido da partícula apassivadora “se”, mais o “sujeito”.

Pois bem, qual é o problema da Voz Passiva?

Primeiramente, é possível confundir o uso do pronome “se”, o qual, em alguns contextos, pode vir a ser Índice de Indeterminação do Sujeito, ou seja, marca que na oração o sujeito não pode ser determinado (Precisa-se de professores). Neste caso, não é possível transformar a Voz Passiva Sintética em Voz Passiva Analítica, além disso, para esse caso, os verbos deverão ser transitivos indiretos, intransitivos ou de ligação.

Em segundo lugar, a Voz Passiva Sintética só acontece, gramaticalmente falando, quando verbo e “sujeito” (que mais parece um complemento verbal) concordam entre si. Ou seja, é como se esse “complemento” funcionasse como sujeito da oração, ou melhor, funciona como sujeito paciente na Voz Passiva Analítica (Alugam-se salas → Salas são alugadas).

Porém, percebam: mesmo em se tratando de uma regra gramatical, observa-se um problema em relação à classificação do sujeito? Na oração “Alugam-se casas”, quem está realizando a ação? As casas? Certamente, não. Então, pode-se concluir que o sujeito também é indeterminado, não é mesmo? Infelizmente, a gramática insiste em afirmar que esse sujeito é simples. Como assim, você deve estar se perguntando?

Pois é... É um dos problemas da nossa querida gramática. Ela, por si só, não dá conta de resolver esses problemas. Vejam: intuitivamente, você sabe que o sujeito não está marcado ali. Dessa forma, tanto faz se o verbo estiver no plural ou no singular (Aluga-se casas/Alugam-se casa), certo? No entanto, a gramática só aceita que o verbo esteja concordando com esse termo que vem logo depois da Partícula Apassivadora.



Você, provavelmente, já viu placas ou propagandas por aí escritas de maneira diferente, certo? Tais como “Joga-se búzios”, “Aluga-se casas”, “Vende-se lotes” etc. Observem que, mesmo grafadas de maneira “errada”, essas formas representam exatamente o que o falante quis informar: há alguém, não mencionado, que joga búzios, que aluga casas, que vende lotes. Ou seja, o brasileiro, todos os dias, usa corretamente essas formas sem cometer nenhum erro. No entanto, os gramáticos continuam insistindo nessa regra ultrapassada e sem sentido. Não estou dizendo que vocês devem abolir de vez a regra e seguir o que estou afirmando. Apenas quero ressaltar que há fenômenos na nossa língua que não são mencionados pelas gramáticas em geral.

Creio, ainda, que essa história de dar nomes de Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito também deve ser extinta. Para uma reorganização desse fenômeno, leiam o segundo livro que está nas referências abaixo, o qual foi escrito pelo professor Marcos Bagno. 

Certo é que o falante sabe das coisas e usa o Português Brasileiro todos os dias, com maestria e sabedoria. Por que não aceitar de vez ambas as formas como legítimas do nosso idioma, porém uma em variedades mais cultas, e outra em variedades mais populares? Ou mesmo que AMBAS ocorrem em contextos mais formais e menos formais?


Enfim, resta-nos esperar pelo reconhecimento do nosso verdadeiro idioma...


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M.. Português ou brasileiro? um convite à pesquisa. 3a Edição. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.

_____. Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

SCHERRE, M. M. P.. Doa-se lindos filhotes de poodle: variação lingüística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Crônica

Pessoal, boa noite!

Hoje vou compartilhar com todos uma de minhas crônicas preferidas.

Apreciem!


A ROSEIRA

Há sabedoria por toda parte, só basta olharmos com calma e refletirmos com paciência. Hoje minha avó decidiu que era hora de podar uma velha roseira que ela planta aqui em casa. Velha mesmo, porque desde que me lembro, minha bisavó era quem cuidava dela, da roseira. Tem época que dá rosas lindas, mas tem época que os galhos secam e é preciso cortar alguns. Porém, a roseira da minha avó tem uma peculiaridade: como toda roseira que se preze, é recheada de espinhos pontiagudos e traiçoeiros. Se encostar em um deles, vai saber que machucam.

Pois bem, vi minha avó levando uma pequena faca e um cutelo para realizar a penosa tarefa. Pensei comigo: “Coitada, não vai aguentar dar um golpe...” Pedi, então, que eu realizasse aquela tarefa, diga-se de passagem, chata e entediante.

Minha avó me orientou e disse quais galhos eu deveria podar. Uns mais grossos, outros mais finos, uns bem secos, outros cheios de espinhos. Ela dizia que precisava cortar no mês de agosto, porque em setembro estariam todos grandes, fortes e brotados de rosas. Nem dei tanto ouvido aos comentários dela, queria mesmo era derrubar aqueles galhos. Não satisfeito com as ferramentas que tinha em minhas mãos, pedi a ela que trouxesse um pequeno serrote, a fim de facilitar minha vida e terminar rapidamente aquela tarefa.
Ao poucos, percebi que os galhos antes pontudamente espinhosos e sinuosos caiam com golpes e movimentos serróticos. Alguns caiam em meus pés, outros furavam meus dedos que, mesmo portando um pano grosso para segurá-los, não era suficiente para evitar aquela roseira acupunturista. Ao final, sobrou apenas o toco principal e alguns pequenos galhos já estampando lindos brotos. Realmente, aquela roseira em seus dias de glória encantava os olhos de quem a admirasse (e agradava aos ladrõezinhos de rosas que insistiam e levar algumas). Em minhas mãos, os sinais de trabalho: galos e marcas de esforço para tentar cortar simples galhos de roseira. Além, é claro, de belas feridas de espinhos.

Aquela cena tocou-me profundamente, como se a própria planta ali ferida e desarmada quisesse dizer-me ou me ensinar algo: sim, como não percebi antes, aquela roseira é a vida de todos nós! Nossos galhos cheios de espinhos, de defeitos, estão sempre armados, caso alguém se sinta confortável para se aproximar de nós. Alguns de nossos galhos secam e caem naturalmente, talvez porque percebamos que eles não nos servem mais. Outros insistem em permanecer grossos, por nossa vontade ou falta de consciência.

Sempre haverá quem queira podar alguns galhos em nós. Talvez muitas mãos (ou corações) se encham de calos e marcas, mas, tal como minha vontade de cortá-los, essas pessoas não desistem, mesmo sabendo que se trata de um trabalho que deveria ser feito por nós mesmos. No fundo, sabemos que precisamos sempre de ferramentas mais potentes e poderosas para derrubar os galhos mais resistentes. Entretanto, por mais que nos esqueçamos, lá sempre brotarão as rosas de nossas virtudes. Lá, estrategicamente nascidas nas pontas dos galhos cheios de espinhos. Entre as folhas da paciência, da vontade, da perseverança e da fé, nascem as flores mais lindas de nossa essência.

Pensei comigo também: “Quantos galhos minha bisavó e minha avó já tiveram que cortar nesta vida... E quantos outros já o fizeram por ela... E mesmo vendo aquele toco feio e pobre, sabiam que aquilo era necessário, e que as flores sempre renasceriam belas e perfumadas...” Recolhi os galhos podados, juntei-os com velhos jornais e um plástico sujo que estava na garagem e lá se foi minha avó jogá-los fora... Sei que nascerão outros galhos espinhosos no futuro, porém agora sei por que devem ser podados...


Vamos observar outro fenômeno recorrente no Português Brasileiro, o qual representa nossa verdadeira forma de falar, escrever e usar nosso idioma.







Antes de qualquer coisa, é preciso que todos saibam que existe o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), o qual não é um órgão governamental, e sim uma ONG (Organização Não Governamental), formada por publicitários e profissionais de áreas diversas, que tem como objetivo, dentre outros, censurar previamente propagandas que ofendam ou agridam os consumidores ou segmentos da sociedade. Tal prerrogativa baseia-se, sobretudo, na linguagem empregada nas campanhas publicitárias brasileiras.

Pois bem, feitas as devidas apresentações, vamos nos concentrar naquele velho e conhecido modo verbal: o imperativo. Ele é usado quando se quer dar uma ordem, um conselho, um pedido ou uma sugestão. Gramaticalmente falando, a formação do imperativo na 2ª pessoa do singular é feita a partir da segunda pessoa do presente do indicativo, suprimindo-se o “s” da desinência verbal (Tu cantas → Canta tu). Entretanto, em alguns casos, quando o falante refere-se ao seu interlocutor como “você”, usa-se o presente do indicativo (Que ele/você cante → Cante você).

No Brasil, o uso dos pronomes pessoais possui particularidades, pois, na maioria das vezes e na maioria dos lugares, as pessoas se tratam por “você”, e não por “tu”. Quando esse último é utilizado, usa-se o verbo na terceira pessoa, e não na segunda (Tu canta). Ou seja, isso implica uma mudança direta no uso e na formação do imperativo pelos brasileiros.

Daí, você deve está se perguntando: o que tem a ver isso com o CONAR e com as propagandas acima? Simples: algumas delas foram proibidas de circularem no país, enquanto uma foi permitida. Isso aconteceu após análise daqueles que controlam as propagandas no nosso país. Apesar de se verificar que em todas elas há uso do imperativo, não é consenso afirmar o que pode ser considerado ofensivo ou não numa propaganda.

Vejam: as duas primeiras (Compre Baton/Beba Coca-Cola) foram proibidas, por serem consideradas ofensivas e expressarem uma ordem direta, quase como uma obrigação. Nos dois casos, temos o uso do imperativo levando-se em consideração o tratamento do interlocutor por “você”. Caso esses textos fossem reescritos, tendo como base o uso do pronome “tu” como tratamento ao interlocutor, teríamos, respectivamente, “Compra Baton” e “Bebe Coca-Cola”. Percebam que, mesmo intuitivamente, parece que há certo relaxamento na linguagem, ou uma forma mais branda de se solicitar algo, como se fosse um conselho ou uma sugestão?

No entanto, a propaganda “Faz um 21” não foi proibida no Brasil. Observa-se que no contexto apresentado, o interlocutor foi tratado por “tu”, mesmo que de forma “errada”, pois o correto, gramaticalmente falando, seria “Faze um 21”, forma quase desconhecida pelos falantes brasileiros. Se esse mesmo texto fosse reescrito utilizando-se como forma de tratamento o pronome “você”, teríamos “Faça um 21”, ou seja, muito mais ofensiva que a original. Obviamente, isso foi muito bem pensado e arquitetado pelos publicitários que criaram essa campanha, de modo a criar essa “sensação de relaxamento”. Além disso, por se tratar de um verbo irregular e anômalo, há essa particularidade no uso do imperativo.

Há, ainda, outros casos de orações que compõem propagandas de cerveja: nos casos de “Beba com Moderação” e “Aprecie com Moderação”, em ambos, o uso foi do pronome “você” como base para o imperativo. E por que não foram proibidas? Na minha opinião, porque não são exatamente os textos que falam sobre os produtos, e sim sobre o consumo do produto de maneira geral, algo como uma recomendação. Contudo, quem se lembra da propaganda “Experimenta!”? Nem preciso dizer por que foi proibida, não é mesmo? Pensem como seria diferente seu sentido, caso fosse reescrita como “Experimente!”.

Enfim, chegamos à conclusão de que o uso do imperativo no Brasil não segue uma regra específica, ou melhor, não há consenso sobre como devemos usá-los, tampouco o que é, de fato, ofensivo ou não na linguagem apresentada numa propaganda. Há uma complexidade muito maior do que aquilo considerado “certo” ou “errado” pelos gramáticos (e pelos manuais de gramática). É preciso, sobretudo, compreender o uso do pronome pessoal de 2ª pessoa, o qual, na sua maioria, é feito com o pronome “você”, mas que ainda conserva, em algumas regiões do país, a forma arcaica “tu”.

Leia (lês) e analise (analisa) tudo isso sem parcimônia!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M. Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

SCHERRE, M. M. P. Doa-se lindos filhotes de poodle: variação linguística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quando eu digo aos meus alunos que eu não consigo parar de pensar em gramática... hehehe... Vejam: nem nas férias eu consigo relaxar!




Estava eu assistindo à boa e velha televisão, quando passou esta propaganda do Governo Federal. Ela apresenta, a priori, duas possibilidades de interpretação. A depender da forma como a compreendemos, haverá sentidos diferentes:

a) Quando analisamos o verbo vencer como intransitivo, podemos observar que pode haver algum adjunto adverbial elíptico ao final da oração, como “Crack, é possível vencer” (sem medo), (sempre), (na vida), (com coragem) etc. Ou ainda, pode-se verificar um tipo de polissemia, como se a palavra “Crack” estivesse ligada à figura do bom jogador de futebol, que joga para vencer;

b) Se analisarmos o mesmo verbo como transitivo direto, aí nossa análise muda consideravelmente, pois é possível construir a mesma oração de três formas diferentes:
  •  “Crack, é possível combatê-lo”, em que há uma construção tipicamente da norma gramatical, na qual o pronome oblíquo retoma o vocativo e temos, nessa situação, uma retomada pleonástica, ou um objeto direto pleonástico;
  •  “Crack, é possível combater ele”, aqui temos um uso comum no Português Brasileiro na sua modalidade falada, na qual não há um alto grau de monitoramento. Percebe-se também uma tendência atual e natural no Brasil de se utilizar o pronome pessoal, que, geralmente, funciona como sujeito da oração, como complemento verbal (no lugar do oblíquo);
  • “Crack, é possível vencer”, a forma utilizada na propaganda, a qual demonstra, primeiramente, o conhecimento linguístico daqueles que a fizeram, pois utilizam o que é conhecido na literatura como “objeto nulo”, forma mais utilizada pelos falantes cultos. Essa forma representa o que há de mais moderno e atual no Português Brasileiro, no que diz respeito ao uso de variedades cultas.


Pois bem: nada na(da) língua é por acaso, já dizia o grande professor Marcos Bagno!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M. Português ou brasileiro? um convite à pesquisa. 3.ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Retornando...

Bom, sinceramente, nem sei por que estou novamente com essa ideia de continuar a ter um blog. Tenho muita coisa escrita e precisava de um espaço para publicar. Enfim, vou utilizar este espaço para isso... Espero conseguir algum retorno após essa decisão! hehehe...

Boa noite!

(NÃO) TEM SENTIDO

Já não é possível saber quem tem razão. A cada notícia de manifestações, nos perguntamos por que tanta violência, tanta intolerância, tanta bagunça... Simplesmente, não sabemos quem está certo ou quem está errado.

Ninguém entende por que está reclamando, sobre o que está reclamando e contra quem está reclamando. É uma anarquia sem sentido, sem organização, fora de controle. Culpam-se os polícias pelos excessos, mas serão só eles os responsáveis?

Concordo com a maioria das pessoas que querem e desejam a mudança. Suas atitudes são louváveis e importantes para que as mudanças necessárias aconteçam. Porém, indago: será que tudo isso não se tornou banal? Será que já não se perdeu o sentido de tantas manifestações? Concordo também que as coisas não estão como deveriam estar, há muitos problemas, muita coisa para se resolver neste país, mas só manifestar resolve?

Os jovens de hoje perderam suas referências e já não sabem em quem se espelhar. Nossos heróis do passado sabiam contra o que estavam se rebelando, sabiam quais as causas e as consequências de suas atitudes. Não culpo os baderneiros de plantão, os arruaceiros que só procuram os conflitos: eles, infelizmente, já não sabem por que estão fazendo isso. Também não culpo os governantes corruptos: eles, infelizmente, já não sabem por que estão fazendo isso.

O Papa, enquanto esteve no Brasil, disse que o jovem que não manifesta não o agrada. Concordo plenamente. No entanto, será que estamos fazendo certo? Será que não estamos perdendo o controle de nossos próprios ideais? Perdendo o controle do que, de fato, estamos buscando?

Sim, são muitas provas de brasileirismo, de patriotismo, de preocupação com o nosso presente e com o nosso futuro. Contudo, ainda me pergunto se não há outras formas de se resolver isso. Se não estamos gastando desnecessariamente nossas energias com gritos de ordem e caminhadas. Saliva e sapatos são nossas ferramentas mais eficientes contra essa realidade difícil e impactante. Mas só isso é suficiente?
Não sei. Sinto que há algo muito estranho no ar. Mudar tudo não resolve. Mudar um pouco também não resolve. Deixar como está é retrocesso. Devemos deixar de pensar nas antíteses e buscar a síntese.

Sinceramente falando: o que queremos mudar? O que está fora, ou o que está dentro (de nós)? Aceitamos a vida com ela é? Socialismo e Comunismo são utopias necessárias, porém não estamos preparados para sermos iguais. 

domingo, 27 de maio de 2012

Psicólogo: Um profissional Desvalorizado

Boa noite!

Bom, mais uma vez, depois de muito tempo sem postagem, eis que surge uma nova publicação.

Hoje venho falar sobre a importância do Psicólogo para a sociedade e para a saúde das pessoas. Eu não sou formado em Psicologia, mas minha noiva é e, hoje em dia, compreendo a importância deste profissional.

Há duas semanas, tenho frequentado sessões com uma excelente terapeuta e, mesmo reconhecendo que ainda é um tempo muito curto para tirar qualquer conclusão, posso afirmar o quanto tem me feito bem este momento com uma profissional que estudou para fazer o que faz, ou seja, não é apenas alguém que te escuta e te fala o que você precisa escutar - isso é função do seu amigo(a) ou companheiro (a). Refiro-me a alguém que o auxiliar a se observar, a perceber fatos e pensamentos que você mesmo(a) não os percebe, ou não consegue, ou ainda não os quer perceber e aceitar. 

É fato que a importância do Psicólogo na sociedade traduz uma realidade que, se não chega a ser absolutamente catastrófica, não será modificada apenas pela vontade das pessoas. Percebi que é um profissional como qualquer outro, tal como um médico, um advogado, um engenheiro, um professor etc., que estudou bastante (pelo menos 5 anos), que acredita em sua teoria e metodologia e que se compromete com o que faz e o faz com propriedade. Logicamente, há muitos picaretas de plantão querendo "curar" a mente das pessoas. Isso, definitivamente, não traduz o trabalho que faz.

Eu mesmo tinha certo preconceito em relação ao trabalho do Psicólogo, talvez por não compreender o que ele fazia e como fazia. Atualmente, tenho me sentido muito bem e muito mais receptivo, atencioso, crítico e reflexivo sobre algumas de minhas ações e começo a compreender certas imagens que criei sobre mim mesmo e sobre os outros.

E mesmo aqueles que não atuam necessariamente como terapeutas, possuem a sua grande importância e dão a sua contribuição para a sociedade. Aos que trabalham nos departamentos de Recursos Humanos, hospitais, escolas, nas mais variadas modalidades esportivas, enfim, todos merecem o nosso respeito e admiração. Se parássemos para analisar a essencialidade de sua função e de seu trabalho, talvez repensaríamos até mesmo quais profissionais merecem maior atenção e reconhecimento por sua prestação.

Portanto, não adianta declararmos que nunca precisaremos recorrer ao trabalho destes profissionais, ou que somos inteligente demais para precisarmos de um, ou mesmo que não estamos loucos ou coisa parecida. É preciso, sobretudo, valorizar uma categoria tão malvista e tão importante para as pessoas que buscam viver bem e em sociedade. Eu respeito e apoio o trabalho do Psicólogo! E você?




quinta-feira, 26 de abril de 2012

Voltando...

Bom, após alguns meses de ausência, acho que estou precisando de terapia... Como ainda não posso pagar um bom psicólogo, vou escrever, porque é de graça, me faz bem e alivia minha ansiedade.

Nos últimos dias/meses/anos, tenho sempre prestado atenção a um tipo de crítica que, se analisada sem o devido cuidado, torna-se um tipo de preconceito muito comum, porém não tão reconhecido: o preconceito linguístico.

É de conhecimento geral a constatação de que algumas pessoas possuem dificuldade em lidar com a língua escrita, tornando-as alvo de chacotas, de piadas. Confesso que, em alguns momento, vejo que esses "erros" são motivos de risos, contudo, não deveriam ser.

Há que não concorde com a posição já consolidada da Linguística de que não há erros cometidos por falantes legítimos de um idioma, o que há (e eu concordo com essa visão) é uma discrepância entre o uso linguístico do falante e o contexto em que ele está inserido em um determinado momento de comunicação/interação verbal (seja oral ou escrita). Em outras palavras, por mais que o falante domine todas as regras de uso das variedades ditas populares e informais, ainda lhe falta o domínio, não linguístico, mas discursivo, pragmático, ideológico e social que determinados segmentos e gêneros textuais exigem.

Um exemplo prático de que um falante do português brasileiro não comete erros quando usa sua língua é o fato de ele, em hipótese alguma, construir uma oração da seguinte forma: "cinema menino ao o foi". Ora, todo falante da língua domina as regras estruturais desta, mesmo que em seu repertório falte recursos presentes e exigidos em usos de variedades mais formais e cultas da língua. Entretanto, um estrangeiro, falante nativo da língua inglesa, esforçando-se bastante para usar o português sem conhecer bem o idioma, poderia muito bem dizer "muita boa", pois não há marcas de mudança de gênero na expressão "very good".

Ocorre que, por ter sido vítima de um péssimo, insuficiente e fracassado modelo educacional, ou mesmo não ter tido acesso a nenhuma educação de qualidade, o falante precisa se inserir num mundo cada vez mais letrado, cada vez mais elitizado cultural e socialmente, apesar dos inúmeros esforços do governo em diminuir a distância entre ricos e pobres, e, não obstante, o papel da internet em universalizar o acesso a determinados conhecimentos.

Bom, acredito que esses inúmeros casos de intolerância sejam mesmo falta de conhecimento de muitos acerca da variação e da mudança linguísticas. Ao invés de criticarmos, por que não auxiliamo estas pessoas a se inserirem cada vez mais e com mais êxito num mundo cada vez mais dominado pelas palavras? Escrever errado não é um defeito, é, mais do que isso, um reflexo da realidade deste país e da força do ser humano de ser ouvido/lido e compreendido dentro de sua dura realidade.

domingo, 11 de março de 2012

Ausências...

Aos frequentadores do blog, boa noite. Peço desculpas pela ausência nesses últimos dias, mas minha saúde está me obrigando a descansar mais e ter menos atividades durante o dia. Vou postar notícias ou comentários nos próximos dias.

Enquanto isso, vou deixar a tradução de uma música que gosto muito.

Abraços!



The Verve - Lucky Man (Homem de Sorte)



Felicidade
Mais ou menos
É só uma mudança em mim
Algo em minha liberdade
Oh minha, minha
Felicidade
Indo e vindo
Eu vejo você me olhando
Veja minha febre aumentando
Eu sei exatamente onde eu estou

Mas quantas esquinas eu tenho que virar?
Quantas vezes tenho que aprender
Todo o amor que eu tenho está em minha mente?

Bem, Eu sou um homem de sorte
Com fogo em minhas mãos

Felicidade
Algo em minha casa
Eu estou pelado
Sorrindo, Eu não sinto nenhuma desgraça
Com quem eu sou
Felicidade
Indo e vindo
Eu vejo você me olhando
Veja minha febre aumentando
Eu sei exatamente onde eu estou

Mas quantas esquinas eu tenho que virar?
Quantas vezes tenho que aprender
Todo o amor que eu tenho está em minha mente?

Eu espero que você compreenda
Eu espero que você compreenda

Eu tenho amor que nunca irá acabar

domingo, 4 de março de 2012

Música do Dia...

http://www.youtube.com/watch?v=p3OkVSNter0&feature=related


Don't Go Away - Noel Gallagher

Não Vá Embora

Manhã fria e coberta de geada
Não há muito a dizer
Sobre as coisas presas em minha mente
Conforme o dia ia amanhecendo, meu avião partia
Com todas as coisas presas em minha mente

Eu não quero estar lá quando você estiver...
Caindo
Eu não quero estar lá quando você atingir o chão

Então não vá embora
Diga o que quiser
Mas diga que irá ficar
Para sempre e mais um dia... Enquanto eu viver
Porque eu preciso de mais tempo, sim, eu preciso de mais tempo
Apenas para fazer as coisas certo

Dane-se minha situação e os jogos que tenho que jogar
Com todas as coisas presas em minha mente
Dane-se minha educação, não acho palavras para falar
Sobre as coisas presas em minha mente

Eu não quero estar lá quando você estiver...
Caindo
Eu não quero estar lá quando você atingir o chão

Então não vá embora
Diga o que quiser
Mas diga que irá ficar
Para sempre e mais um dia... Enquanto eu viver
Porque eu preciso de mais tempo, sim, eu preciso de mais tempo
Apenas para fazer as coisas certo

Eu e você, o que está acontecendo?
Parece que tudo que sabemos mostrar
São os sentimentos errados

Então não vá embora
Diga o que quiser
Mas diga que irá ficar
Para sempre e mais um dia... Enquanto eu viver
Porque eu preciso de mais tempo, sim, eu preciso de mais tempo
Apenas para fazer as coisas certo

Então não vá embora
Diga o que quiser
Mas diga que irá ficar
Para sempre e mais um dia... Enquanto eu viver
Porque eu preciso de mais tempo, sim, eu preciso de mais tempo
Apenas para fazer as coisas certo

Porque eu preciso de mais tempo apenas para fazer as coisas certo
Sim, eu preciso de mais tempo para fazer as coisas certo

Então não vá embora

Momento reflexão do dia!

Boa noite para todos!!!

Bom, não sei se há muita gente acessando esse blog e lendo os textos que estou postando. Mesmo assim, vou continuar a escrever, como forma de relaxar, ter um espaço e um momento para fazer o que mais gosto; o que mais me deixa feliz e satisfeito.

Estava eu olhando o Google Notícias e me deparei com esta notícia:


Bom, não é surpresa nenhuma alguém que faz parte da elite deste país (e neste caso da elite jurídica e política) zombar e criticar ações feitas pelo povo. Afinal de contas, o "Ficha Limpa" é uma conquista do povo e para o povo, após anos de profunda negligência, falta de responsabilidade e menosprezo aos assuntos de importância e relevância nacional. Em outras palavras, nós, o povo, conseguimos fazer em 1 ou 2 anos o que esses "defensores das leis" nunca fizeram ou tiveram coragem e vontade de fazer. Definitivamente, quem se preocuparia com os problemas dos outros quando se ganha um salário absurdo às custas dos nossos impostos? Não digo que não seja merecimento, pois para chegar a esse nível foi necessário muito estudo e muito trabalho. Apenas critico a opinião de alguém que se acha alheio aos problemas das pessoas... 

Na verdade, nem vou criticar o comentário do "simpático" Ministro Gilmar Mendes, mas fazer uma reflexão sobre a vida e sobre como estamos aproveitando e, efetivamente, vivendo no meio do olho do furacão (é assim que denomino nosso atual momento).

Acredito que criticar não resolva muito. Por isso, vou me concentrar no que devemos fazer: primeiramente, é preciso ter fé. Sem a fé - e isso não depende de crença, mas apenas de acreditar que algo possa mudar - não há esperança e sem esperança não há vontade de fazer e de mudar. A fé deve ser a nossa alavanca para alcançarmos sempre um novo nível de consciência coletiva/individual e de compreensão dos acontecimentos mais recentes.

Em segundo lugar, acredito que precisamos aprender a escutar/ouvir os outros, sem julgamentos, sem preconceitos e sem nenhum sentimento de reprovação ou de crítica. Ouvir significa "escutar os conselhos ou  as razões" de alguém e escutar significa "prestar atenção para ouvir alguma coisa" ou mesmo "sentir". Escutar as pessoas significa dar-lhes a oportunidade de expressar suas ideias, seus pensamentos, seus sentimentos, dúvidas, sugestões, elogios... Enfim, tudo o que todos nós queremos e precisamos nos dias atuais.

Também é preciso acreditar nas pessoas, apoiar suas decisões, dar credibilidade, confiar em seus planos e em seus desejos, mesmo que pareçam "grandes demais" para serem realizados. Acredito que todos merecemos um voto de confiança, pois estamos neste mundo para errarmos; são nossos erros que nos fazem acertar, são eles que nos mostram as coisas certas, o caminho que devemos seguir. Além disso, não devemos nos queixar e nos culpar pelos nossos erros, nossa verdadeira força e capacidade reside em nossa coragem de nos levantarmos depois de cairmos. Mais do que isso: o verdadeiro aprendizado está na forma como reagimos aos tropeços da vida, cujas consequências nós mesmo provocamos, e da maneira que saímos destas experiências, mais fortes ou mais fracos. Tudo depende de nossa própria capacidade de análise e percepção.

Se possível, devemos cultivar a paciência, a tolerância, o respeito, a gentileza, a paz e, principalmente, o amor. Creio que as ações mencionadas anteriormente exigem esta mudança de conduta e o agregamento destes valores. Contudo, nunca é tarde para nos lembrarmos destas virtudes. A solução de nossos problemas (e dos problemas dos outros) está em nós mesmos, apesar de cada um viver a sua própria experiência, fazemos parte do mesmo mundo e compartilhamos absolutamente tudo. Nas palavras do saudoso e atualíssimo Belchior "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais".

Sei que não é fácil colocar em prática tudo isso. Aliás, é um exercício exaustivo e complexo de autoconhecimento, mudança interior e mudança de hábitos. Porém, não nos custa muito fazermos a nossa parte em prol da harmonia e do equilíbrio coletivo. Sejamos luz!


P.S.: Não sei se consegui estabelecer uma relação entre a notícia e minhas reflexões abaixo. Elas surgiram de uma conversa "inesperada" e esclarecedora com meu tio. Se consegui enxergar tantas coisas boas no dia de hoje, boa parte é graças ao que ele me disse e ao que também pude falar.




quinta-feira, 1 de março de 2012

Notícia fresquinha!


Noel Gallagher confirma shows no Brasil. Em maio, o ex-guitarrista do Oasis irá se apresentar em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente nos dias 2 e 3 daquele mês.

Nota triste: não poderei estar nos shows... Que dó! Que dó! Que dó! :(


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A juventude atual

Prezados, boa noite!

Bom, depois de outra crise de pressão alta, acho que o melhor a se fazer é escrever.

Hoje decidi apresentar minhas opiniões e reflexões acerca dos jovens atuais, do que percebo enquanto professor e pessoa.

Não compreendo como essa juventude consegue estabelecer prioridades e definir rumos para sua vida. Pode parecer uma afirmação muito ofensiva e precipitada, porém é a sensação que tenho ao escutar e acompanhar o comportamento dos adolescentes. Não estou afirmando que existe uma crise generalizada, mas fato é que, em certos momentos, fico assustado com o que vejo e ouço.

Sou professor de alunos que têm entre 11 e 14 anos. Pode parecer exagero meu cobrar maturidade e responsabilidade de jovens que acabaram de sair da idade infantil, mas que ainda se encontram na linha de fogo entre o ser e o querer ser. Entretanto, em alguns momentos, procuro voltar no tempo e me lembrar de quando tinha a mesma idade e das atitudes que tomava ou daquilo que falava quando tinha a mesma idade. Apesar de considerar que nesta época eu ainda mantinha uma ingenuidade incomum, já refletia sobre meu futuro e sobre minhas escolhas, não apenas profissionais, mas também, e principalmente, nas minhas escolhas de caráter e personalidade. 

Desde jovem, sempre senti essa vontade de fazer o bem, de poder ajudar outras pessoas, se ser minimamente gentil e educado para com todos, independentemente se os conhecia ou não. Acreditava que a melhor forma de crescer e obter boas oportunidades seria mostrando ao mundo minha capacidade de saber respeitar a todos e ser justo. Hoje vejo que quase tudo isso se perdeu no vão da era da pós-modernidade e no buraco em que nossa sociedade, em sua maioria, se meteu.

É fácil apontar os erros e não apontar as causas. Não creio que a internet tenha sido o principal fator que desencadeou esta onda de "zumbis" alienados e desconectados com os problemas alheios. Isso pode até potencializar e piorar o que já é ruim, mas a internet também trouxe suas contribuições significativas. Por mais que reclamemos dos "mundos digitais" onde as pessoas se confinam, é fato que as oportunidades aumentaram significativamente e as possibilidades, se já eram multiversalistas, agora são infinitas. Logicamente, tenho que considerar o aumento absurdo de fatos e acontecimentos bizarros ligados ao uso irresponsável da internet, quase totalmente desacompanhado e desconhecido pelos pais cada vez mais ausentes.

Acredito fielmente que isso se deve à criação desde o berço. É óbvio que todos temos o direito de errar. Educar e criar um ser humano corretamente e nos caminhos certos depende de inúmeros fatores. É, de fato, uma atividade extremamente complexa. Mesmo assim, ainda atribuo esta responsabilidade aos pais e responsáveis, mas não totalmente. Compreendo que o mundo de hoje exige cada vez mais das pessoas; seus empregos estão cada vez mais maçantes e mais desgastantes; há uma pressão enorme pelo aspecto financeiro, para se ter direito a um mínimo de participação nos serviços de qualidade e que podem ser pagos, como saúde, educação, moradia, segurança; o Estado tem estado muito longe de cumprir suas funções de supridor e fornecedor do mínimo para se viver dignamente etc. Contudo, é somente isso que importa? Oferecer aos nossos jovens tudo o que querem ou tudo o que podem ter sem lhes ensinar o sentido da palavra "limite"? Ou mesmo sem nos preocuparmos com o significados dos adjetivos "responsável", "justo", "honesto", "gentil", "educado", "paciente", "resignado", dentre outros tão importantes para a formação de um verdadeiro cidadão? E ainda: apoiando e não corrigindo certos comportamentos e atitudes que desencadeiam numa verdadeira pandemia de exageros e descompromissos?

De fato, essa nova geração se preocupa bem menos com a qualidade e bem mais com a quantidade e, principalmente, com o "desafiar-se sem medo, sem pudor e sem consciência de suas atitudes". É uma necessidade quase vital de desafiar o próprio corpo e a própria mente a níveis absurdos, misturados a comportamentos inaceitáveis e inexplicáveis. Acredito que a palavra "felicidade" já não possui o mesmo significado para esses jovens. Porém, o que mais me preocupa é o futuro. Sim, porque eles serão os futuros médicos, advogados, engenheiros, professores (acho difícil...), deputados, senadores e até presidentes. Como reencontrar uma referência, uma base ou mesmo um ponto norteador para, primeiramente, compreender a mente dos adolescentes e, posteriormente, deixar-lhes algo de bom e construtivo para o futuro?

Sei que minhas crenças e conhecimentos sobre a vida e sobre os fatos espirituais explicam esse comportamento e me fazem compreender as causas e consequências disso. Mesmo assim, creio que o problema deve ser discutido. Não me refiro a todos os jovens, pois há certa parte que às vezes me assusta por sua "experiência" e "conhecimento" sobre a vida e sobre as pessoas. Quem me preocupa é a grande massa influenciada pelos meios de comunicação e por uma busca desenfreada por uma vida cada vez mais artificial, sem planejamento e sem conteúdo. 

Que esses pensamentos idealistas possam se transformar numa verdadeira força motriz. Atitudes, de fato. Um processo em devir.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Apenas coincidência?





Um pequeno lapso de epifania me ocorreu nos últimos minutos acerca do "acidente" ocorrido na base brasileira de pesquisas climáticas, localizada na Antártida.

Muito se fala sobre 2012, sobre possíveis mudanças físicas, climáticas, aparecimentos de astros, catástrofes, cataclismos, problemas de ordem social, de ordem financeira e até psicológica.

Não vou opinar sobre isso, até porque tenho a minha opinião formada sobre o assunto, cujo resultado baseia-se em informações científicas, religiosas e espiritualistas. Acho que mudanças bruscas e repentinas, como ouvi uma vez de uma pessoa, não condizem com a personalidade de Deus, ou seja, as mudanças devem acontecer de dentro para fora e num ritmo muito mais lento do que o esperado.

Apenas deixo uma pergunta: não é estranho esse incêndio ocorrer poucos meses depois de alguns fatos estranhos que aconteceram e foram presenciados por pesquisadores no Polo Sul, fatos que não foram totalmente esclarecidos e divulgados para a grande massa? 

A nossa melhor ferramenta nos dias atuais é a dúvida. Nossa melhor arma (no bom sentido) é o conhecimento. 

Bom senso, reflexão, pesquisas, meditação, serenidade, paciência e neutralidade.

E a educação... Como vai?

Bom dia!

Hoje pela manhã li esta notícia e, sinceramente, não me surpreendeu:



Vamos realizar: aumentar o "piso" (buraco) salarial dos professores pode acarretar num "prejuízo" para os municípios e para os estados. Ou seja, remunerar em quase R$ 1500,00 um professor não é um bom negócio...

Bom, é óbvio que isso vai gerar prejuízo! Afinal de contas, um professor pode muito bem trabalhar 40h numa escola (e mais algumas muitas horas em casa, preparando aulas, corrigindo provas, trabalhos etc) e ganhar menos do que um deputado ou um senador que trabalha (sic) 1/3 do ano e ainda recebe 14º, 15º, 16º... 20º... 30º salários. E isso não gera nenhum "prejuízo" para o Estado.

É bem verdade que este tem sido um tema recorrente e até, certo modo, repetitivo e cansativo de ser comentado. Porém, venhamos e convenhamos: quanto vale a educação neste país? Quanto vale formar não apenas alunos, mas cidadãos de bem, éticos, compromissados, críticos, reflexivos e conscientes de seu papel perante a sociedade e perante a vida? Quanto vale investir na carreira de um profissional responsável pelo futuro de muita gente?

Fato é que a educação deste país segue princípios ligados à elite "burguesa" e "cultural", herança de nossos antepassados muito mais preocupados com acúmulo de capital, esquecendo-se do bem-estar comum e tão necessário para crescimento e amadurecimento de uma nação. Formar professores neste país sai mais barato que promover campanhas publicitárias falidas acerca dos perigos de beber e dirigir. Isso porque não se investe em... Educação. Sai muito mais barato até que organizar o carnaval e mais barato ainda que manter bandidos na cadeia...

A educação vem se transformando numa espécie de "válvula de escape", de "bode expiatório" para os problemas nacionais. Ora, é evidente que o problema está na escola! O significado desta palavra reflete sua própria decadência: é "Estabelecimento onde se ensina..." ou "Estabelecimento onde se ministra ensino coletivo". Já o verbo ensinar, quando é transitivo, indica "Transmitir conhecimentos, instruir, educar, doutrinar", e quando é intransitivo significa "Pregar". Alguns dicionários ainda colocar como sinônimos os verbos "domesticar", "amestrar (adestrar)", "treinar". Enquanto o verbo "educar" pode exprimir a "ação de desenvolver a faculdades psíquicas, intelectuais e morais" ou mesmo "Conhecimento e prática dos hábitos sociais ou boas maneiras". E a palavra "piso"? Literalmente, significa "chão"!

O que tudo isso pode significar para nós? Estamos lutando pela educação ou pelo ensino (escola)? Temos um Ministério da Educação ou Ministério do Ensino? Não estou afirmando que ambos os léxicos são divergentes, ao contrário, uma coisa leva à outra. Estou apenas deixando um comentário pessoal: será que o Estado tem estado presente, ou anda faltando muito sem justificar sua ausência? Será que ele está sendo mol(estado)? Cadê o at(estado)?