Para quem gosta de ler, escrever e já está matriculado em algum curso de graduação, um concurso literário que vai oferecer como prêmio principal um carro!
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da 1ª
conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre
achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conetivos e agentes da passiva,
o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
Boa noite, queridas
cumbuquinhas para chá! Hehehe...
Conforme prometi, um
artigo que fala sobre Predicativo do Objeto. Sei que parece um tema complicado
e, por vezes, de difícil compreensão e reconhecimento. Porém, com um pouco de
atenção, dedicação e exercícios podemos sanar nossas dúvidas.
Primeiramente,
precisamos mencionar que o Predicativo do Objeto é uma característica atribuída
ao objeto (direto ou indireto), ou seja, um termo que se liga somente ao
complemento verbal, aparecendo junto de verbos chamados Transobjetivos
(pesquisem sobre esse tipo de verbo).
a) O público considerou
a atitude do cantor ousada.
b) Chamei a ele de perverso.
c) As mulheres julgam
os homens insensíveis.
Observem os três
exemplos acima: em todos eles, há a ocorrência de Predicativos do Objeto. Algumas
dicas que ajudam a identificar esse termo:
1) Quase sempre ele
pode ser deslocado para qualquer parte do predicado, sem modificar o sentido da
oração (faça o teste com as orações anteriores);
2) São sempre
características atribuídas, nunca inerentes (fato que os difere dos Adjuntos
Adnominais);
3) Troque o objeto
direto das orações por um pronome oblíquo correspondente e perceberá que o
sentido não será alterado (O público considerou-a ousada / Chamei-lhe de
perverso / As mulheres julga-nos insensíveis);
Com isso, tenho certeza
de que poderão identificar esse termo com facilidade e sem medo de serem
felizes!
Sem dúvida, o artigo
deixou vocês contentes!
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
<www.soportugues.com.br>.
Banco de dados. Acesso em: 23 mar 2014.
MOURA, F. Gramática aplicada ao texto: com todas as
resoluções comentadas. 7. ed. Brasília: Editora Vestcon, 2007.
PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. 4.
ed. 11. imp. São Paulo: Editora Ática, 2007.
Hoje foi falar de todos
os tipos de objetos diretos e indiretos que existem na face da Terra da Língua
Portuguesa! Hehehe...
Sei que é muita coisa
para ser lembrada e estudada para o vestibular da UnB, porém, como é um assunto
recorrente nas provas, preciso dissertar e comentar sobre ele.
a) Os deputados
aprovaram a lei.
b) Pediremos ajuda ao professor.
c) Quero uma vaga na
UnB. Vou conquistá-la com muita
dedicação e estudos.
d) Obedeci-lhe, porque se trata do meu chefe.
e) Os alunos, dão-lhes pouca credibilidade.
f) Provei da torta.
g) O empresário deu-se férias de alguns dias.
h) Esqueci-me de pagar a conta de luz.
i) Roubaram-lhe a carteira com todos os
documentos.
No primeiro e no
terceiro caso, temos o objeto direto clássico, ora formado com um substantivo,
ora formado com um pronome oblíquo. Nos segundo e quarto casos, são objetos
indiretos, feitos da mesma forma que os anteriores (substantivo e pronome,
respectivamente).
Na quinta ocorrência,
temos o nosso objeto pleonástico (e, nesse caso, objeto indireto pleonástico),
ou seja, aquele que aparece propositalmente duas vezes, sendo uma como termo
topicalizado e outra como complemento pronominal.
No caso seguinte, surge
o objeto direto preposicionado. Percebam: eu poderia fazer “Provei a torta”,
porém, optei por dar outro sentido ao verbo, mantendo-lhe sua transitividade
como direta.
Seguindo, temos o
famoso objeto direto reflexivo (sujeito que pratica e sofre a ação verbal) e o
pronome fossilizado, ou também chamado de parte integrante do verbo (na
construção do verbo, é necessário se utilizar o pronome).
Por fim, temos o
chamado objeto indireto dativo de posse, ou seja, apenas uma partícula que
realça a ação ocorrida. Experimente trocar esse “lhe” por “sua” e perceba que o
sentido é o mesmo (não confunda isso com objeto pleonástico!).
Sendo assim, percebam a
quantidade de complementos verbais que podem ser utilizados, cada um
expressando um sentido diferente.
Obviamente, em se
tratando de vestibular, a tendência é que sejam cobrados os tipos menos comuns
(os cinco últimos). Contudo, vale a pena estudar todos!
Atendendo a milhares de
pedidos (hehehe), vou explicar esse tal de objeto direto pleonástico.
A palavra pleonasmo
significa repetição desnecessária, redundância, que poderia ser evitada, como
em “Entrar para dentro”, ou “Sair para fora”, ou “O escritor escreveu”...
Enfim, pode-se evitar esse tipo de construção na escrita em sua modalidade
padrão ou culta.
O Objeto (Direto ou
Indireto), por sua vez, é um complemento que aparece junto ao verbo com ou sem
a necessidade de preposição.
Quando combinamos as
duas coisas, temos o que podemos chamar de Objeto Direto Pleonástico ou Objeto
Indireto Pleonástico. Observem:
a) Os garotos, vi-os
subindo no telhado da casa (ou vi eles –
uso popular);
b) Às mulheres, nós homens agradamos-lhes (ou agradamos a elas
– uso popular);
c) Um presente, o garoto pediu-o
ao Papai Noel ou;
d) Ao Papai Noel, o garoto pediu-lhe
um presente.
Ou seja, temos um termo
que foi separado por vírgulas (recordamos o assunto de Topicalização), o qual funciona
como complemento do verbo da oração, porém esse termo é retomado de maneira
pleonástica, repetitiva após a vírgula. Percebam que na primeira oração, por
exemplo, poderíamos escrevê-la assim: “Vi os garotos subindo no telhado de casa”,
ou seja, sujeito + verbo + complemento.
E por que foram
escritas assim? Apenas para se dar ênfase na palavra destacada, colocando-a em
evidência. Esse tipo de escrita é muito comum na publicidade, ou em textos
literários.
Nossa língua, é tão
fácil utilizá-la (utilizar ela)!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
<www.soportugues.com.br>.
Banco de Dados. Acesso em: 16 mar. 2014.
MOURA, F. Gramática aplicada ao texto: com todas
as resoluções comentadas. 7 ed. Brasília: Ed. Vestcon, 2007.
Bom, vou retomar um
tema que já havia mencionado em algum artigo anterior.
Esta propaganda do
governo federal apresenta, conforme foi dito antes, duplo sentido:
a) “Crack, é possível
vencê-lo” ou “Crack, é possível vencer ele”, ou seja, como se “Crack” fosse um
complemento do verbo vencer, daí poderíamos reescrever esse termo como “É
possível vencer o Crack”;
b) “Crack, é possível
vencer” (na vida, sem usar a droga etc.), ou seja, o verbo “vencer” seria intransitivo
e o que fosse colocado após ele seria adjunto adverbial.
Existe uma situação no
Brasil que foge à regra de que a sintaxe correta do português é “Sujeito-Predicado”,
chamada “Topicalização” ou “Estrutura Tópico-comentário”.
Consiste em destacar
uma palavra, separando-a ou não com vírgula à esquerda, e construindo-se a
oração com predicado. Observe:
1) O relógio, o
ponteiro quebrou;
2) O Brasil, ele saiu
da crise;
3) O rato, o gato
comeu;
4) O carro furou o
pneu.
Vejam que todas as
orações acima foram construídas em forma de tópicos (“o assunto principal”) e o
que aparece depois é chamado de comentário. Há possibilidade de se realizar
essa construção com outros termos da oração, como, por exemplo, adjuntos
adverbiais (Faço esse trajeto constantemente. / Constantemente, faço esse
trajeto).
No trecho “Crack, é
possível vencer”, a primeira palavra está em forma de tópico e o que aparece
depois é, pois, o comentário. Dessa forma, numa primeira leitura, não
percebemos essa ambiguidade, porém, refletindo-se sobre essa particularidade, é
possível perceber essa característica. Com isso, podemos afirmar que há, pelo
menos, duas formas de se construir esse tipo de oração no Português Brasileiro.
Agora, observem esta
outra propaganda:
Nessa divertida e
criativa propaganda, ao final, diz-se a seguinte oração:
A CADA UM MINUTO,
QUATRO COISAS VENDEM
Bom, a princípio, essa
frase não apresenta problema, pois o sentido expresso por ela está claro e o
objetivo comunicativo foi alcançado. Porém, ao utilizarmos a teoria
anteriormente citada sobre “Topicalização”, observamos características que são
parecidas, ou seja, um tópico inicial separado por vírgula e um comentário
depois.
No entanto, percebemos
que a topicalização acontece, geralmente, quando se desloca o sujeito, ou seja,
essa oração deveria estar topicalizada assim: “Quatro coisas, vendem a cada um
minuto”, ou “Quatro coisas, a cada minuto vendem”. Verificamos, então, que na
oração usada na propaganda, o que está topicalizado é o adjunto adverbial de
tempo (a cada um minuto).
Poderíamos, assim,
reescrever esse termo de duas formas diferentes, utilizando-nos da chamada “Voz
Passiva”, ou seja:
a) A cada um minuto,
quatro coisas são vendidas (formando voz passiva analítica), ou;
b) A cada um minuto,
vendem-se quatro coisas (formando voz passiva sintética).
Daí vocês se perguntam
e me perguntam: por que isso não foi feito? Primeiramente, porque se trata de
linguagem publicitária, que exige uma rapidez e uma objetividade típicas desse
tipo de gênero. Em segundo lugar, porque, sonoramente, não ficaria tão
interessante cantar essa oração da forma como fiz anteriormente. Experimente
fazer isso... De fato, não soaria da mesma forma.
Enfim, nossa conclusão é
a de que a linguagem é como nossa roupa: utilizamo-la de formas diferentes,
dependendo do objetivo a ser alcançado, ou do contexto no qual nos encontramos.
O Português Brasileiro, não é difícil aprender! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 100 Mitos da Linguagem. In.: Revista Língua Portuguesa. Ano 9. Número 100 São Paulo: Editora Segmento, fev 2014, p. 32. PERINI, M. Gramática Descritiva do Português. 4. ed. 11. impr. São Paulo: Editora Ática, 2007.
Bom, aproveitando o texto anterior, vou colocar aqui uma crônica minha (inspirada na crônica "João, Francisco, Antônio" de Cecília Meireles) acerca de verbos considerados impessoais quando exprimem tempo. Leiam e comentem o que acham da crítica e dessa forma diferente de se analisar tais verbos. Apreciem!
Ter,
Fazer, Haver
Ter, fazer, haver é um
verbo que, no Brasil, é atacado com certa frequência. Isso porque podemos
usá-lo indicando tempo: “Têm/Faz/Há dias que não vejo ele.” Porém, nem todos
conseguem ver essa verdade.
Ter, fazer, haver
costuma ser estudado como um caso particular, uma das condições para a formação
de oração sem sujeito: um termo essencial, mas que pode nem mesmo existir! Como
pode? Ter, fazer, haver não tem culpa disso, é apenas um verbo! Ter, fazer,
haver costuma ser hostilizado pelos gramáticos, ao mostrarem que não pode ser
usado no plural, pois isso é um erro imperdoável! Ter, fazer, haver é até
chamado de impessoal! Como pode?
Ter, fazer, haver só
quer fazer parte da fala comum dos brasileiros, tanto da fala informal, quanto
da fala formal. Ter, fazer, haver sonha em aparecer na escrita e,
principalmente, numa gramática com o nome de brasileira.
Apesar de tudo, ter,
fazer, haver é muito respeitado, sim senhor! Respeitado e valorizado pelos
linguistas, seus maiores amigos e defensores. Tudo o que ele quer é uma chance
de mostrar a sua importância, a sua marca comum e corriqueira, a sua
naturalidade.
Ter, fazer, haver
também é famoso: aparece nos noticiários, nos jornais, revistas, outdoors, e até na internet! Ter, fazer,
haver até já foi tema de trabalho científico, de pesquisa, de debate... Já
apareceu em muitos livros importantes! É colega dos jornalistas, dos
professores, dos escritores, poetas, dos jovens, dos adultos... É amigo do
Chico Buarque e, pasmem, até mesmo do presidente! Ter, fazer, haver é muito
conhecido!
Não quer forçar, não
quer obrigar, não quer ditar... Não quer dizer o que é certo ou o que é errado,
somente busca o seu lugar no mundo! Ter, fazer, haver trabalha muito, ganha
pouco, sofre, chora, às vezes passa fome, frio, é vítima de preconceito, sempre
espera pelas promessas durante as campanhas políticas... Só quer mesmo uma
educação de qualidade, saúde, segurança, uma vida digna e sem tristezas! Ter,
fazer, haver só quer ser feliz... Isso é pedir demais?
Ter, fazer, haver não
tem culpa disso tudo. Ter, fazer, haver é heterogêneo, mutável, adaptável,
sofre variação e mudança. Enfim, ter, fazer, haver é companheiro dos
brasileiros, ambos andam juntos, lado a lado, e estão desde sempre amarrados. E
digo mais: essa é uma amizade que não pode ser desfeita!
Bom, vou falar hoje
sobre o uso de alguns verbos ditos impessoais, ou seja, aqueles que não se
ligam a nenhum sujeito.
Normalmente, o verbo “haver”,
quando exprime o sentido de existir, é sempre impessoal e invariável (Havia
pessoas na manifestação). No entanto, o verbo existir, se usado numa oração,
não é impessoal, possui sujeito e varia (Existiam pessoas na manifestação). Observe
agora esta belíssima canção do grande Lulu Santos:
Há alguns versos
interessantes na letra dessa música os quais merecem atenção:
“Não existiria som se não houvesse o silêncio/ Não haveria luz se não fosse a escuridão (...) Tem
certas coisas que eu não sei dizer”
Vejam os verbos desses
versos: o primeiro deles é “existiria” e seu sujeito é “som”; “houvesse” e “haveria”
são impessoais, portanto, não precisam de sujeito. Agora há dois verbos (fosse
e tem) os quais, nesse contexto, podem se trocados por “haver” ou “existir”.
Não está contemplado
nas gramáticas normativas o uso desses verbos desta maneira, o que nos leva a
pensar que se trata de um uso legítimo e próprio do Português Brasileiro. Além
disso, no caso do verbo “tem”, é preciso que ele venha acentuado (Têm), pois há
um sujeito posposto no plural.
Agora, observem esta
canção do grupo Falamansa:
Vamos analisar a
primeira estrofe da música:
“Não haveria guerra, se não fosse a ignorância./ Não haveria acordo que não fosse a paz./ Eu poderia até andar
descalço pela rua, / Não haveriam
cacos pra cortar os pés”
Aqui, temos o verbo “haveria”,
nos dois primeiros casos, usado da maneira contemplada pela gramática, ou seja,
impessoal (com sentido de existir) e invariável. O verbo “fosse”, entretanto,
não funciona do mesmo modo nas duas ocorrências: no primeiro caso, pode ser
substituído por “haver” ou “existir”, mas no segundo caso é um verbo de ligação,
ou seja, o acordo poderia ser a paz, seria a paz, é a paz.
Ao final, observamos que
o verbo “haveria”, apesar de ser impessoal, está no plural! Como pode isso? Em
variedades mais populares da língua, as pessoas conjugam o verbo “haver” como
se fosse outro verbo qualquer, porque muitos falantes desconhecem o que é um
verbo impessoal. Eu pergunto: qual o problema de se usar esse verbo no plural,
mesmo sendo impessoal? Talvez ele não seja tão impessoal assim... Talvez o
falante, que é inteligente e conhece muito bem o idioma que usa, tenha criado
uma nova forma de se usar esse verbo, não como impessoal, mas como um verbo que
pede sujeito. No caso da música, talvez seja apenas “licença poética”, mas
creio que se trata de uma situação de mudança linguística em curso...
Enfim, há tantas formas
de se usar os verbos e haverá(ão) muitas possibilidades no futuro. Têm muitas
coisas que precisam ser explicadas...
Pessoal, hoje vou
escrever sobre um tema bastante polêmico e que sempre gera dúvidas entre os
alunos, além de causar discussão entre os professores de gramática: a Voz Passiva.
A princípio, vamos
entender que uma oração estará na voz ativa quando houver um sujeito ativo que
pratica alguma ação (Meu tio aluga salas). Já a voz passiva pode se apresentar
de duas formas:
a) Voz Passiva
Analítica: Meu tio aluga salas → Salas
são alugadas pelo meu tio, na qual o objeto direto torna-se sujeito
paciente da oração, o verbo torna-se locução verbal (com o auxílio dos verbos
ser, estar e ficar) e o sujeito da voz ativa torna-se agente da passiva, sempre
preposicionado;
b) Voz Passiva
Sintética: Alugam-se salas, na qual
não há agente da passiva, apenas o verbo (transitivo direto ou transitivo
direto e indireto) seguido da partícula apassivadora “se”, mais o “sujeito”.
Pois bem, qual é o
problema da Voz Passiva?
Primeiramente, é
possível confundir o uso do pronome “se”, o qual, em alguns contextos, pode vir
a ser Índice de Indeterminação do Sujeito, ou seja, marca que na oração o
sujeito não pode ser determinado (Precisa-se de professores). Neste caso, não é
possível transformar a Voz Passiva Sintética em Voz Passiva Analítica, além
disso, para esse caso, os verbos deverão ser transitivos indiretos,
intransitivos ou de ligação.
Em segundo lugar, a Voz
Passiva Sintética só acontece, gramaticalmente falando, quando verbo e “sujeito”
(que mais parece um complemento verbal) concordam entre si. Ou seja, é como se
esse “complemento” funcionasse como sujeito da oração, ou melhor, funciona como
sujeito paciente na Voz Passiva Analítica (Alugam-se salas → Salas são
alugadas).
Porém, percebam: mesmo
em se tratando de uma regra gramatical, observa-se um problema em relação à
classificação do sujeito? Na oração “Alugam-se casas”, quem está realizando a
ação? As casas? Certamente, não. Então, pode-se concluir que o sujeito também é
indeterminado, não é mesmo? Infelizmente, a gramática insiste em afirmar que
esse sujeito é simples. Como assim, você deve estar se perguntando?
Pois é... É um dos
problemas da nossa querida gramática. Ela, por si só, não dá conta de resolver
esses problemas. Vejam: intuitivamente, você sabe que o sujeito não está
marcado ali. Dessa forma, tanto faz se o verbo estiver no plural ou no singular
(Aluga-se casas/Alugam-se casa), certo? No entanto, a gramática só aceita que o
verbo esteja concordando com esse termo que vem logo depois da Partícula
Apassivadora.
Você, provavelmente, já
viu placas ou propagandas por aí escritas de maneira diferente, certo? Tais
como “Joga-se búzios”, “Aluga-se casas”, “Vende-se lotes” etc. Observem que,
mesmo grafadas de maneira “errada”, essas formas representam exatamente o que o
falante quis informar: há alguém, não mencionado, que joga búzios, que aluga
casas, que vende lotes. Ou seja, o brasileiro, todos os dias, usa corretamente
essas formas sem cometer nenhum erro. No entanto, os gramáticos continuam
insistindo nessa regra ultrapassada e sem sentido. Não estou dizendo que vocês
devem abolir de vez a regra e seguir o que estou afirmando. Apenas quero
ressaltar que há fenômenos na nossa língua que não são mencionados pelas
gramáticas em geral.
Creio, ainda, que essa história de dar nomes de Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito também deve ser extinta. Para uma reorganização desse fenômeno, leiam o segundo livro que está nas referências abaixo, o qual foi escrito pelo professor Marcos Bagno.
Certo é que o falante
sabe das coisas e usa o Português Brasileiro todos os dias, com maestria e
sabedoria. Por que não aceitar de vez ambas as formas como legítimas do nosso
idioma, porém uma em variedades mais cultas, e outra em variedades mais
populares? Ou mesmo que AMBAS ocorrem em contextos mais formais e menos
formais?
Enfim, resta-nos
esperar pelo reconhecimento do nosso verdadeiro idioma...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAGNO, M.. Português ou brasileiro? um convite à
pesquisa. 3a Edição. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.
_____. Não é errado falar assim! Em defesa do
português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
SCHERRE, M. M. P.. Doa-se lindos filhotes
de poodle: variação lingüística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola
Editorial, 2005.
Hoje vou compartilhar com todos uma de minhas crônicas preferidas.
Apreciem!
A
ROSEIRA
Há sabedoria por toda parte, só basta olharmos com
calma e refletirmos com paciência. Hoje minha avó decidiu que era hora de podar
uma velha roseira que ela planta aqui em casa. Velha mesmo, porque desde que me
lembro, minha bisavó era quem cuidava dela, da roseira. Tem época que dá rosas
lindas, mas tem época que os galhos secam e é preciso cortar alguns. Porém, a
roseira da minha avó tem uma peculiaridade: como toda roseira que se preze, é
recheada de espinhos pontiagudos e traiçoeiros. Se encostar em um deles, vai
saber que machucam.
Pois bem, vi minha avó levando uma pequena faca e um
cutelo para realizar a penosa tarefa. Pensei comigo: “Coitada, não vai aguentar
dar um golpe...” Pedi, então, que eu realizasse aquela tarefa, diga-se de
passagem, chata e entediante.
Minha avó me orientou e disse quais galhos eu
deveria podar. Uns mais grossos, outros mais finos, uns bem secos, outros
cheios de espinhos. Ela dizia que precisava cortar no mês de agosto, porque em
setembro estariam todos grandes, fortes e brotados de rosas. Nem dei tanto
ouvido aos comentários dela, queria mesmo era derrubar aqueles galhos. Não
satisfeito com as ferramentas que tinha em minhas mãos, pedi a ela que
trouxesse um pequeno serrote, a fim de facilitar minha vida e terminar
rapidamente aquela tarefa.
Ao poucos, percebi que os galhos antes pontudamente
espinhosos e sinuosos caiam com golpes e movimentos serróticos. Alguns caiam em
meus pés, outros furavam meus dedos que, mesmo portando um pano grosso para
segurá-los, não era suficiente para evitar aquela roseira acupunturista. Ao
final, sobrou apenas o toco principal e alguns pequenos galhos já estampando
lindos brotos. Realmente, aquela roseira em seus dias de glória encantava os
olhos de quem a admirasse (e agradava aos ladrõezinhos de rosas que insistiam e
levar algumas). Em minhas mãos, os sinais de trabalho: galos e marcas de
esforço para tentar cortar simples galhos de roseira. Além, é claro, de belas
feridas de espinhos.
Aquela cena tocou-me profundamente, como se a
própria planta ali ferida e desarmada quisesse dizer-me ou me ensinar algo:
sim, como não percebi antes, aquela roseira é a vida de todos nós! Nossos
galhos cheios de espinhos, de defeitos, estão sempre armados, caso alguém se
sinta confortável para se aproximar de nós. Alguns de nossos galhos secam e
caem naturalmente, talvez porque percebamos que eles não nos servem mais.
Outros insistem em permanecer grossos, por nossa vontade ou falta de
consciência.
Sempre haverá quem queira podar alguns galhos em nós.
Talvez muitas mãos (ou corações) se encham de calos e marcas, mas, tal como
minha vontade de cortá-los, essas pessoas não desistem, mesmo sabendo que se
trata de um trabalho que deveria ser feito por nós mesmos. No fundo, sabemos
que precisamos sempre de ferramentas mais potentes e poderosas para derrubar os
galhos mais resistentes. Entretanto, por mais que nos esqueçamos, lá sempre
brotarão as rosas de nossas virtudes. Lá, estrategicamente nascidas nas pontas
dos galhos cheios de espinhos. Entre as folhas da paciência, da vontade, da
perseverança e da fé, nascem as flores mais lindas de nossa essência.
Pensei comigo também: “Quantos galhos minha bisavó e
minha avó já tiveram que cortar nesta vida... E quantos outros já o fizeram por
ela... E mesmo vendo aquele toco feio e pobre, sabiam que aquilo era
necessário, e que as flores sempre renasceriam belas e perfumadas...” Recolhi
os galhos podados, juntei-os com velhos jornais e um plástico sujo que estava
na garagem e lá se foi minha avó jogá-los fora... Sei que nascerão outros
galhos espinhosos no futuro, porém agora sei por que devem ser podados...
Vamos observar outro
fenômeno recorrente no Português Brasileiro, o qual representa nossa verdadeira
forma de falar, escrever e usar nosso idioma.
Antes de qualquer
coisa, é preciso que todos saibam que existe o CONAR (Conselho Nacional de
Autorregulamentação Publicitária), o qual não é um órgão governamental, e sim
uma ONG (Organização Não Governamental), formada por publicitários e
profissionais de áreas diversas, que tem como objetivo, dentre outros, censurar
previamente propagandas que ofendam ou agridam os consumidores ou segmentos da
sociedade. Tal prerrogativa baseia-se, sobretudo, na linguagem empregada nas
campanhas publicitárias brasileiras.
Pois bem, feitas as
devidas apresentações, vamos nos concentrar naquele velho e conhecido modo
verbal: o imperativo. Ele é usado quando se quer dar uma ordem, um conselho, um
pedido ou uma sugestão. Gramaticalmente falando, a formação do imperativo na 2ª
pessoa do singular é feita a partir da segunda pessoa do presente do
indicativo, suprimindo-se o “s” da desinência verbal (Tu cantas → Canta tu).
Entretanto, em alguns casos, quando o falante refere-se ao seu interlocutor
como “você”, usa-se o presente do indicativo (Que ele/você cante → Cante você).
No Brasil, o uso dos
pronomes pessoais possui particularidades, pois, na maioria das vezes e na
maioria dos lugares, as pessoas se tratam por “você”, e não por “tu”. Quando
esse último é utilizado, usa-se o verbo na terceira pessoa, e não na segunda
(Tu canta). Ou seja, isso implica uma mudança direta no uso e na formação do
imperativo pelos brasileiros.
Daí, você deve está se
perguntando: o que tem a ver isso com o CONAR e com as propagandas acima?
Simples: algumas delas foram proibidas de circularem no país, enquanto uma foi
permitida. Isso aconteceu após análise daqueles que controlam as propagandas no
nosso país. Apesar de se verificar que em todas elas há uso do imperativo, não
é consenso afirmar o que pode ser considerado ofensivo ou não numa propaganda.
Vejam: as duas
primeiras (Compre Baton/Beba Coca-Cola) foram proibidas, por serem consideradas
ofensivas e expressarem uma ordem direta, quase como uma obrigação. Nos dois
casos, temos o uso do imperativo levando-se em consideração o tratamento do
interlocutor por “você”. Caso esses textos fossem reescritos, tendo como base o
uso do pronome “tu” como tratamento ao interlocutor, teríamos, respectivamente,
“Compra Baton” e “Bebe Coca-Cola”. Percebam que, mesmo intuitivamente, parece
que há certo relaxamento na linguagem, ou uma forma mais branda de se solicitar
algo, como se fosse um conselho ou uma sugestão?
No entanto, a
propaganda “Faz um 21” não foi proibida no Brasil. Observa-se que no contexto
apresentado, o interlocutor foi tratado por “tu”, mesmo que de forma “errada”,
pois o correto, gramaticalmente falando, seria “Faze um 21”, forma quase
desconhecida pelos falantes brasileiros. Se esse mesmo texto fosse reescrito
utilizando-se como forma de tratamento o pronome “você”, teríamos “Faça um 21”,
ou seja, muito mais ofensiva que a original. Obviamente, isso foi muito bem
pensado e arquitetado pelos publicitários que criaram essa campanha, de modo a
criar essa “sensação de relaxamento”. Além disso, por se tratar de um verbo
irregular e anômalo, há essa particularidade no uso do imperativo.
Há, ainda, outros casos
de orações que compõem propagandas de cerveja: nos casos de “Beba com
Moderação” e “Aprecie com Moderação”, em ambos, o uso foi do pronome “você”
como base para o imperativo. E por que não foram proibidas? Na minha opinião,
porque não são exatamente os textos que falam sobre os produtos, e sim sobre o
consumo do produto de maneira geral, algo como uma recomendação. Contudo, quem
se lembra da propaganda “Experimenta!”? Nem preciso dizer por que foi proibida,
não é mesmo? Pensem como seria diferente seu sentido, caso fosse reescrita como
“Experimente!”.
Enfim, chegamos à
conclusão de que o uso do imperativo no Brasil não segue uma regra específica,
ou melhor, não há consenso sobre como devemos usá-los, tampouco o que é, de
fato, ofensivo ou não na linguagem apresentada numa propaganda. Há uma
complexidade muito maior do que aquilo considerado “certo” ou “errado” pelos
gramáticos (e pelos manuais de gramática). É preciso, sobretudo, compreender o
uso do pronome pessoal de 2ª pessoa, o qual, na sua maioria, é feito com o
pronome “você”, mas que ainda conserva, em algumas regiões do país, a forma
arcaica “tu”.
Leia (lês) e analise
(analisa) tudo isso sem parcimônia!
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BAGNO, M. Não é errado falar assim! Em defesa do
português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
SCHERRE,
M. M. P. Doa-se lindos filhotes de
poodle: variação linguística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola
Editorial, 2005.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Quando eu digo aos meus
alunos que eu não consigo parar de pensar em gramática... hehehe... Vejam: nem
nas férias eu consigo relaxar!
Estava eu assistindo à boa e velha televisão, quando passou esta propaganda do Governo Federal. Ela
apresenta, a priori, duas possibilidades de interpretação. A depender da forma
como a compreendemos, haverá sentidos diferentes:
a) Quando analisamos o
verbo vencer como intransitivo, podemos observar que pode haver algum adjunto
adverbial elíptico ao final da oração, como “Crack, é possível vencer” (sem
medo), (sempre), (na vida), (com coragem) etc. Ou ainda, pode-se verificar um
tipo de polissemia, como se a palavra “Crack” estivesse ligada à figura do bom
jogador de futebol, que joga para vencer;
b) Se analisarmos o
mesmo verbo como transitivo direto, aí nossa análise muda consideravelmente,
pois é possível construir a mesma oração de três formas diferentes:
“Crack, é possível combatê-lo”, em que há
uma construção tipicamente da norma gramatical, na qual o pronome oblíquo
retoma o vocativo e temos, nessa situação, uma retomada pleonástica, ou um
objeto direto pleonástico;
“Crack, é possível combater ele”, aqui
temos um uso comum no Português Brasileiro na sua modalidade falada, na qual
não há um alto grau de monitoramento. Percebe-se também uma tendência atual e
natural no Brasil de se utilizar o pronome pessoal, que, geralmente, funciona
como sujeito da oração, como complemento verbal (no lugar do oblíquo);
“Crack, é possível vencer”, a forma
utilizada na propaganda, a qual demonstra, primeiramente, o conhecimento
linguístico daqueles que a fizeram, pois utilizam o que é conhecido na literatura
como “objeto nulo”, forma mais utilizada pelos falantes cultos. Essa forma
representa o que há de mais moderno e atual no Português Brasileiro, no que diz
respeito ao uso de variedades cultas.
Pois bem: nada na(da) língua é por acaso, já dizia o
grande professor Marcos Bagno!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAGNO, M. Português ou brasileiro? um convite
à pesquisa. 3.ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.
Bom, sinceramente, nem sei por que estou novamente com essa ideia de continuar a ter um blog. Tenho muita coisa escrita e precisava de um espaço para publicar. Enfim, vou utilizar este espaço para isso... Espero conseguir algum retorno após essa decisão! hehehe...
Boa noite!
(NÃO)
TEM SENTIDO
Já não é possível saber quem tem razão. A cada
notícia de manifestações, nos perguntamos por que tanta violência, tanta
intolerância, tanta bagunça... Simplesmente, não sabemos quem está certo ou
quem está errado.
Ninguém entende por que está reclamando, sobre o que
está reclamando e contra quem está reclamando. É uma anarquia sem sentido, sem
organização, fora de controle. Culpam-se os polícias pelos excessos, mas serão
só eles os responsáveis?
Concordo com a maioria das pessoas que querem e
desejam a mudança. Suas atitudes são louváveis e importantes para que as
mudanças necessárias aconteçam. Porém, indago: será que tudo isso não se tornou
banal? Será que já não se perdeu o sentido de tantas manifestações? Concordo
também que as coisas não estão como deveriam estar, há muitos problemas, muita
coisa para se resolver neste país, mas só manifestar resolve?
Os jovens de hoje perderam suas referências e já não
sabem em quem se espelhar. Nossos heróis do passado sabiam contra o que estavam
se rebelando, sabiam quais as causas e as consequências de suas atitudes. Não
culpo os baderneiros de plantão, os arruaceiros que só procuram os conflitos:
eles, infelizmente, já não sabem por que estão fazendo isso. Também não culpo
os governantes corruptos: eles, infelizmente, já não sabem por que estão
fazendo isso.
O Papa, enquanto esteve no Brasil, disse que o jovem
que não manifesta não o agrada. Concordo plenamente. No entanto, será que
estamos fazendo certo? Será que não estamos perdendo o controle de nossos
próprios ideais? Perdendo o controle do que, de fato, estamos buscando?
Sim, são muitas provas de brasileirismo, de
patriotismo, de preocupação com o nosso presente e com o nosso futuro. Contudo,
ainda me pergunto se não há outras formas de se resolver isso. Se não estamos
gastando desnecessariamente nossas energias com gritos de ordem e caminhadas.
Saliva e sapatos são nossas ferramentas mais eficientes contra essa realidade
difícil e impactante. Mas só isso é suficiente?
Não sei. Sinto que há algo muito estranho no ar.
Mudar tudo não resolve. Mudar um pouco também não resolve. Deixar como está é
retrocesso. Devemos deixar de pensar nas antíteses e buscar a síntese.
Sinceramente falando: o que queremos mudar? O que
está fora, ou o que está dentro (de nós)? Aceitamos a vida com ela é?
Socialismo e Comunismo são utopias necessárias, porém não estamos preparados
para sermos iguais.
Bom, mais uma vez, depois de muito tempo sem postagem, eis que surge uma nova publicação.
Hoje venho falar sobre a importância do Psicólogo para a sociedade e para a saúde das pessoas. Eu não sou formado em Psicologia, mas minha noiva é e, hoje em dia, compreendo a importância deste profissional.
Há duas semanas, tenho frequentado sessões com uma excelente terapeuta e, mesmo reconhecendo que ainda é um tempo muito curto para tirar qualquer conclusão, posso afirmar o quanto tem me feito bem este momento com uma profissional que estudou para fazer o que faz, ou seja, não é apenas alguém que te escuta e te fala o que você precisa escutar - isso é função do seu amigo(a) ou companheiro (a). Refiro-me a alguém que o auxiliar a se observar, a perceber fatos e pensamentos que você mesmo(a) não os percebe, ou não consegue, ou ainda não os quer perceber e aceitar.
É fato que a importância do Psicólogo na sociedade traduz uma realidade que, se não chega a ser absolutamente catastrófica, não será modificada apenas pela vontade das pessoas. Percebi que é um profissional como qualquer outro, tal como um médico, um advogado, um engenheiro, um professor etc., que estudou bastante (pelo menos 5 anos), que acredita em sua teoria e metodologia e que se compromete com o que faz e o faz com propriedade. Logicamente, há muitos picaretas de plantão querendo "curar" a mente das pessoas. Isso, definitivamente, não traduz o trabalho que faz.
Eu mesmo tinha certo preconceito em relação ao trabalho do Psicólogo, talvez por não compreender o que ele fazia e como fazia. Atualmente, tenho me sentido muito bem e muito mais receptivo, atencioso, crítico e reflexivo sobre algumas de minhas ações e começo a compreender certas imagens que criei sobre mim mesmo e sobre os outros.
E mesmo aqueles que não atuam necessariamente como terapeutas, possuem a sua grande importância e dão a sua contribuição para a sociedade. Aos que trabalham nos departamentos de Recursos Humanos, hospitais, escolas, nas mais variadas modalidades esportivas, enfim, todos merecem o nosso respeito e admiração. Se parássemos para analisar a essencialidade de sua função e de seu trabalho, talvez repensaríamos até mesmo quais profissionais merecem maior atenção e reconhecimento por sua prestação.
Portanto, não adianta declararmos que nunca precisaremos recorrer ao trabalho destes profissionais, ou que somos inteligente demais para precisarmos de um, ou mesmo que não estamos loucos ou coisa parecida. É preciso, sobretudo, valorizar uma categoria tão malvista e tão importante para as pessoas que buscam viver bem e em sociedade. Eu respeito e apoio o trabalho do Psicólogo! E você?
Bom, após alguns meses de ausência, acho que estou precisando de terapia... Como ainda não posso pagar um bom psicólogo, vou escrever, porque é de graça, me faz bem e alivia minha ansiedade.
Nos últimos dias/meses/anos, tenho sempre prestado atenção a um tipo de crítica que, se analisada sem o devido cuidado, torna-se um tipo de preconceito muito comum, porém não tão reconhecido: o preconceito linguístico.
É de conhecimento geral a constatação de que algumas pessoas possuem dificuldade em lidar com a língua escrita, tornando-as alvo de chacotas, de piadas. Confesso que, em alguns momento, vejo que esses "erros" são motivos de risos, contudo, não deveriam ser.
Há que não concorde com a posição já consolidada da Linguística de que não há erros cometidos por falantes legítimos de um idioma, o que há (e eu concordo com essa visão) é uma discrepância entre o uso linguístico do falante e o contexto em que ele está inserido em um determinado momento de comunicação/interação verbal (seja oral ou escrita). Em outras palavras, por mais que o falante domine todas as regras de uso das variedades ditas populares e informais, ainda lhe falta o domínio, não linguístico, mas discursivo, pragmático, ideológico e social que determinados segmentos e gêneros textuais exigem.
Um exemplo prático de que um falante do português brasileiro não comete erros quando usa sua língua é o fato de ele, em hipótese alguma, construir uma oração da seguinte forma: "cinema menino ao o foi". Ora, todo falante da língua domina as regras estruturais desta, mesmo que em seu repertório falte recursos presentes e exigidos em usos de variedades mais formais e cultas da língua. Entretanto, um estrangeiro, falante nativo da língua inglesa, esforçando-se bastante para usar o português sem conhecer bem o idioma, poderia muito bem dizer "muita boa", pois não há marcas de mudança de gênero na expressão "very good".
Ocorre que, por ter sido vítima de um péssimo, insuficiente e fracassado modelo educacional, ou mesmo não ter tido acesso a nenhuma educação de qualidade, o falante precisa se inserir num mundo cada vez mais letrado, cada vez mais elitizado cultural e socialmente, apesar dos inúmeros esforços do governo em diminuir a distância entre ricos e pobres, e, não obstante, o papel da internet em universalizar o acesso a determinados conhecimentos.
Bom, acredito que esses inúmeros casos de intolerância sejam mesmo falta de conhecimento de muitos acerca da variação e da mudança linguísticas. Ao invés de criticarmos, por que não auxiliamo estas pessoas a se inserirem cada vez mais e com mais êxito num mundo cada vez mais dominado pelas palavras? Escrever errado não é um defeito, é, mais do que isso, um reflexo da realidade deste país e da força do ser humano de ser ouvido/lido e compreendido dentro de sua dura realidade.
Aos frequentadores do blog, boa noite. Peço desculpas pela ausência nesses últimos dias, mas minha saúde está me obrigando a descansar mais e ter menos atividades durante o dia. Vou postar notícias ou comentários nos próximos dias.
Enquanto isso, vou deixar a tradução de uma música que gosto muito.