segunda-feira, 31 de março de 2014

Oportunidade!

Pessoal, boa tarde!

http://www.premiouniversitarios.logosofia.org.br/

Para quem gosta de ler, escrever e já está matriculado em algum curso de graduação, um concurso literário que vai oferecer como prêmio principal um carro!

Aproveitem, pesquisem, acessem!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Para relaxar...

Pessoal, bom dia!

Hoje, apenas um poema para relaxar!


o assassino era o escriba (Paulo Leminski)

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da 1ª
conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre
achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conetivos e agentes da passiva,
o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

domingo, 23 de março de 2014

Predicativo do Objeto

Boa noite, queridas cumbuquinhas para chá! Hehehe...

Conforme prometi, um artigo que fala sobre Predicativo do Objeto. Sei que parece um tema complicado e, por vezes, de difícil compreensão e reconhecimento. Porém, com um pouco de atenção, dedicação e exercícios podemos sanar nossas dúvidas.

Primeiramente, precisamos mencionar que o Predicativo do Objeto é uma característica atribuída ao objeto (direto ou indireto), ou seja, um termo que se liga somente ao complemento verbal, aparecendo junto de verbos chamados Transobjetivos (pesquisem sobre esse tipo de verbo).


a) O público considerou a atitude do cantor ousada.

b) Chamei a ele de perverso.

c) As mulheres julgam os homens insensíveis.


Observem os três exemplos acima: em todos eles, há a ocorrência de Predicativos do Objeto. Algumas dicas que ajudam a identificar esse termo:


1) Quase sempre ele pode ser deslocado para qualquer parte do predicado, sem modificar o sentido da oração (faça o teste com as orações anteriores);

2) São sempre características atribuídas, nunca inerentes (fato que os difere dos Adjuntos Adnominais);

3) Troque o objeto direto das orações por um pronome oblíquo correspondente e perceberá que o sentido não será alterado (O público considerou-a ousada / Chamei-lhe de perverso / As mulheres julga-nos insensíveis);


Com isso, tenho certeza de que poderão identificar esse termo com facilidade e sem medo de serem felizes!


Sem dúvida, o artigo deixou vocês contentes!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

<www.soportugues.com.br>. Banco de dados. Acesso em: 23 mar 2014.

MOURA, F. Gramática aplicada ao texto: com todas as resoluções comentadas. 7. ed. Brasília: Editora Vestcon, 2007.

PERINI, M. A. Gramática descritiva do português. 4. ed. 11. imp. São Paulo: Editora Ática, 2007.


segunda-feira, 17 de março de 2014

Estudem!

Boa noite, povo lindo!

Hoje foi falar de todos os tipos de objetos diretos e indiretos que existem na face da Terra da Língua Portuguesa! Hehehe...

Sei que é muita coisa para ser lembrada e estudada para o vestibular da UnB, porém, como é um assunto recorrente nas provas, preciso dissertar e comentar sobre ele.


a) Os deputados aprovaram a lei.

b) Pediremos ajuda ao professor.

c) Quero uma vaga na UnB. Vou conquistá-la com muita dedicação e estudos.

d) Obedeci-lhe, porque se trata do meu chefe.

e) Os alunos, dão-lhes pouca credibilidade.

f) Provei da torta.

g) O empresário deu-se férias de alguns dias.

h) Esqueci-me de pagar a conta de luz.

i) Roubaram-lhe a carteira com todos os documentos.


No primeiro e no terceiro caso, temos o objeto direto clássico, ora formado com um substantivo, ora formado com um pronome oblíquo. Nos segundo e quarto casos, são objetos indiretos, feitos da mesma forma que os anteriores (substantivo e pronome, respectivamente).

Na quinta ocorrência, temos o nosso objeto pleonástico (e, nesse caso, objeto indireto pleonástico), ou seja, aquele que aparece propositalmente duas vezes, sendo uma como termo topicalizado e outra como complemento pronominal.

No caso seguinte, surge o objeto direto preposicionado. Percebam: eu poderia fazer “Provei a torta”, porém, optei por dar outro sentido ao verbo, mantendo-lhe sua transitividade como direta.

Seguindo, temos o famoso objeto direto reflexivo (sujeito que pratica e sofre a ação verbal) e o pronome fossilizado, ou também chamado de parte integrante do verbo (na construção do verbo, é necessário se utilizar o pronome).

Por fim, temos o chamado objeto indireto dativo de posse, ou seja, apenas uma partícula que realça a ação ocorrida. Experimente trocar esse “lhe” por “sua” e perceba que o sentido é o mesmo (não confunda isso com objeto pleonástico!).

Sendo assim, percebam a quantidade de complementos verbais que podem ser utilizados, cada um expressando um sentido diferente.

Obviamente, em se tratando de vestibular, a tendência é que sejam cobrados os tipos menos comuns (os cinco últimos). Contudo, vale a pena estudar todos!


Bons estudos! 

domingo, 16 de março de 2014

Objeto Ple.. o quê?

Boa tarde!


Atendendo a milhares de pedidos (hehehe), vou explicar esse tal de objeto direto pleonástico.

A palavra pleonasmo significa repetição desnecessária, redundância, que poderia ser evitada, como em “Entrar para dentro”, ou “Sair para fora”, ou “O escritor escreveu”... Enfim, pode-se evitar esse tipo de construção na escrita em sua modalidade padrão ou culta.

O Objeto (Direto ou Indireto), por sua vez, é um complemento que aparece junto ao verbo com ou sem a necessidade de preposição.  

Quando combinamos as duas coisas, temos o que podemos chamar de Objeto Direto Pleonástico ou Objeto Indireto Pleonástico. Observem:

a) Os garotos, vi-os subindo no telhado da casa (ou vi eles – uso popular);

b) Às mulheres, nós homens agradamos-lhes (ou agradamos a elas – uso popular);

c) Um presente, o garoto pediu-o ao Papai Noel ou;

d) Ao Papai Noel, o garoto pediu-lhe um presente.

Ou seja, temos um termo que foi separado por vírgulas (recordamos o assunto de Topicalização), o qual funciona como complemento do verbo da oração, porém esse termo é retomado de maneira pleonástica, repetitiva após a vírgula. Percebam que na primeira oração, por exemplo, poderíamos escrevê-la assim: “Vi os garotos subindo no telhado de casa”, ou seja, sujeito + verbo + complemento.

E por que foram escritas assim? Apenas para se dar ênfase na palavra destacada, colocando-a em evidência. Esse tipo de escrita é muito comum na publicidade, ou em textos literários.

Nossa língua, é tão fácil utilizá-la (utilizar ela)!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

<www.soportugues.com.br>. Banco de Dados. Acesso em: 16 mar. 2014.


MOURA, F. Gramática aplicada ao texto: com todas as resoluções comentadas. 7 ed. Brasília: Ed. Vestcon, 2007.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Topicalização...

Boa tarde, pessoal!

Bom, vou retomar um tema que já havia mencionado em algum artigo anterior.



Esta propaganda do governo federal apresenta, conforme foi dito antes, duplo sentido:

a) “Crack, é possível vencê-lo” ou “Crack, é possível vencer ele”, ou seja, como se “Crack” fosse um complemento do verbo vencer, daí poderíamos reescrever esse termo como “É possível vencer o Crack”;

b) “Crack, é possível vencer” (na vida, sem usar a droga etc.), ou seja, o verbo “vencer” seria intransitivo e o que fosse colocado após ele seria adjunto adverbial.

Existe uma situação no Brasil que foge à regra de que a sintaxe correta do português é “Sujeito-Predicado”, chamada “Topicalização” ou “Estrutura Tópico-comentário”.

Consiste em destacar uma palavra, separando-a ou não com vírgula à esquerda, e construindo-se a oração com predicado. Observe:

1) O relógio, o ponteiro quebrou;
2) O Brasil, ele saiu da crise;
3) O rato, o gato comeu;
4) O carro furou o pneu.

Vejam que todas as orações acima foram construídas em forma de tópicos (“o assunto principal”) e o que aparece depois é chamado de comentário. Há possibilidade de se realizar essa construção com outros termos da oração, como, por exemplo, adjuntos adverbiais (Faço esse trajeto constantemente. / Constantemente, faço esse trajeto).

No trecho “Crack, é possível vencer”, a primeira palavra está em forma de tópico e o que aparece depois é, pois, o comentário. Dessa forma, numa primeira leitura, não percebemos essa ambiguidade, porém, refletindo-se sobre essa particularidade, é possível perceber essa característica. Com isso, podemos afirmar que há, pelo menos, duas formas de se construir esse tipo de oração no Português Brasileiro.

Agora, observem esta outra propaganda:



Nessa divertida e criativa propaganda, ao final, diz-se a seguinte oração:

A CADA UM MINUTO, QUATRO COISAS VENDEM

Bom, a princípio, essa frase não apresenta problema, pois o sentido expresso por ela está claro e o objetivo comunicativo foi alcançado. Porém, ao utilizarmos a teoria anteriormente citada sobre “Topicalização”, observamos características que são parecidas, ou seja, um tópico inicial separado por vírgula e um comentário depois.

No entanto, percebemos que a topicalização acontece, geralmente, quando se desloca o sujeito, ou seja, essa oração deveria estar topicalizada assim: “Quatro coisas, vendem a cada um minuto”, ou “Quatro coisas, a cada minuto vendem”. Verificamos, então, que na oração usada na propaganda, o que está topicalizado é o adjunto adverbial de tempo (a cada um minuto).

Poderíamos, assim, reescrever esse termo de duas formas diferentes, utilizando-nos da chamada “Voz Passiva”, ou seja:

a) A cada um minuto, quatro coisas são vendidas (formando voz passiva analítica), ou;

b) A cada um minuto, vendem-se quatro coisas (formando voz passiva sintética).

Daí vocês se perguntam e me perguntam: por que isso não foi feito? Primeiramente, porque se trata de linguagem publicitária, que exige uma rapidez e uma objetividade típicas desse tipo de gênero. Em segundo lugar, porque, sonoramente, não ficaria tão interessante cantar essa oração da forma como fiz anteriormente. Experimente fazer isso... De fato, não soaria da mesma forma.

Enfim, nossa conclusão é a de que a linguagem é como nossa roupa: utilizamo-la de formas diferentes, dependendo do objetivo a ser alcançado, ou do contexto no qual nos encontramos. 

O Português Brasileiro, não é difícil aprender!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

100 Mitos da Linguagem. In.: Revista Língua Portuguesa. Ano 9. Número 100 São Paulo: Editora Segmento, fev 2014, p. 32.

PERINI, M. Gramática Descritiva do Português. 4. ed. 11.  impr. São Paulo: Editora Ática, 2007. 



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ainda sobre impessoalidade...

Bom, aproveitando o texto anterior, vou colocar aqui uma crônica minha (inspirada na crônica "João, Francisco, Antônio" de Cecília Meireles) acerca de verbos considerados impessoais quando exprimem tempo. Leiam e comentem o que acham da crítica e dessa forma diferente de se analisar tais verbos. Apreciem!


Ter, Fazer, Haver

Ter, fazer, haver é um verbo que, no Brasil, é atacado com certa frequência. Isso porque podemos usá-lo indicando tempo: “Têm/Faz/Há dias que não vejo ele.” Porém, nem todos conseguem ver essa verdade.
Ter, fazer, haver costuma ser estudado como um caso particular, uma das condições para a formação de oração sem sujeito: um termo essencial, mas que pode nem mesmo existir! Como pode? Ter, fazer, haver não tem culpa disso, é apenas um verbo! Ter, fazer, haver costuma ser hostilizado pelos gramáticos, ao mostrarem que não pode ser usado no plural, pois isso é um erro imperdoável! Ter, fazer, haver é até chamado de impessoal! Como pode?
Ter, fazer, haver só quer fazer parte da fala comum dos brasileiros, tanto da fala informal, quanto da fala formal. Ter, fazer, haver sonha em aparecer na escrita e, principalmente, numa gramática com o nome de brasileira.
Apesar de tudo, ter, fazer, haver é muito respeitado, sim senhor! Respeitado e valorizado pelos linguistas, seus maiores amigos e defensores. Tudo o que ele quer é uma chance de mostrar a sua importância, a sua marca comum e corriqueira, a sua naturalidade.
Ter, fazer, haver também é famoso: aparece nos noticiários, nos jornais, revistas, outdoors, e até na internet! Ter, fazer, haver até já foi tema de trabalho científico, de pesquisa, de debate... Já apareceu em muitos livros importantes! É colega dos jornalistas, dos professores, dos escritores, poetas, dos jovens, dos adultos... É amigo do Chico Buarque e, pasmem, até mesmo do presidente! Ter, fazer, haver é muito conhecido!
Não quer forçar, não quer obrigar, não quer ditar... Não quer dizer o que é certo ou o que é errado, somente busca o seu lugar no mundo! Ter, fazer, haver trabalha muito, ganha pouco, sofre, chora, às vezes passa fome, frio, é vítima de preconceito, sempre espera pelas promessas durante as campanhas políticas... Só quer mesmo uma educação de qualidade, saúde, segurança, uma vida digna e sem tristezas! Ter, fazer, haver só quer ser feliz... Isso é pedir demais?

Ter, fazer, haver não tem culpa disso tudo. Ter, fazer, haver é heterogêneo, mutável, adaptável, sofre variação e mudança. Enfim, ter, fazer, haver é companheiro dos brasileiros, ambos andam juntos, lado a lado, e estão desde sempre amarrados. E digo mais: essa é uma amizade que não pode ser desfeita!

Impessoalidade

Boa noite! Tudo bem?

Bom, vou falar hoje sobre o uso de alguns verbos ditos impessoais, ou seja, aqueles que não se ligam a nenhum sujeito.

Normalmente, o verbo “haver”, quando exprime o sentido de existir, é sempre impessoal e invariável (Havia pessoas na manifestação). No entanto, o verbo existir, se usado numa oração, não é impessoal, possui sujeito e varia (Existiam pessoas na manifestação). Observe agora esta belíssima canção do grande Lulu Santos:



Há alguns versos interessantes na letra dessa música os quais merecem atenção:

“Não existiria som se não houvesse o silêncio/ Não haveria luz se não fosse a escuridão (...) Tem certas coisas que eu não sei dizer”

Vejam os verbos desses versos: o primeiro deles é “existiria” e seu sujeito é “som”; “houvesse” e “haveria” são impessoais, portanto, não precisam de sujeito. Agora há dois verbos (fosse e tem) os quais, nesse contexto, podem se trocados por “haver” ou “existir”.

Não está contemplado nas gramáticas normativas o uso desses verbos desta maneira, o que nos leva a pensar que se trata de um uso legítimo e próprio do Português Brasileiro. Além disso, no caso do verbo “tem”, é preciso que ele venha acentuado (Têm), pois há um sujeito posposto no plural.

Agora, observem esta canção do grupo Falamansa:



Vamos analisar a primeira estrofe da música:

“Não haveria guerra, se não fosse a ignorância./ Não haveria acordo que não fosse a paz./ Eu poderia até andar descalço pela rua, / Não haveriam cacos pra cortar os pés”

Aqui, temos o verbo “haveria”, nos dois primeiros casos, usado da maneira contemplada pela gramática, ou seja, impessoal (com sentido de existir) e invariável. O verbo “fosse”, entretanto, não funciona do mesmo modo nas duas ocorrências: no primeiro caso, pode ser substituído por “haver” ou “existir”, mas no segundo caso é um verbo de ligação, ou seja, o acordo poderia ser a paz, seria a paz, é a paz.

Ao final, observamos que o verbo “haveria”, apesar de ser impessoal, está no plural! Como pode isso? Em variedades mais populares da língua, as pessoas conjugam o verbo “haver” como se fosse outro verbo qualquer, porque muitos falantes desconhecem o que é um verbo impessoal. Eu pergunto: qual o problema de se usar esse verbo no plural, mesmo sendo impessoal? Talvez ele não seja tão impessoal assim... Talvez o falante, que é inteligente e conhece muito bem o idioma que usa, tenha criado uma nova forma de se usar esse verbo, não como impessoal, mas como um verbo que pede sujeito. No caso da música, talvez seja apenas “licença poética”, mas creio que se trata de uma situação de mudança linguística em curso...

Enfim, há tantas formas de se usar os verbos e haverá(ão) muitas possibilidades no futuro. Têm muitas coisas que precisam ser explicadas...



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Vai entender...

Boa noite!

Pessoal, hoje vou escrever sobre um tema bastante polêmico e que sempre gera dúvidas entre os alunos, além de causar discussão entre os professores de gramática: a Voz Passiva.

A princípio, vamos entender que uma oração estará na voz ativa quando houver um sujeito ativo que pratica alguma ação (Meu tio aluga salas). Já a voz passiva pode se apresentar de duas formas:

a) Voz Passiva Analítica: Meu tio aluga salas → Salas são alugadas pelo meu tio, na qual o objeto direto torna-se sujeito paciente da oração, o verbo torna-se locução verbal (com o auxílio dos verbos ser, estar e ficar) e o sujeito da voz ativa torna-se agente da passiva, sempre preposicionado;

b) Voz Passiva Sintética: Alugam-se salas, na qual não há agente da passiva, apenas o verbo (transitivo direto ou transitivo direto e indireto) seguido da partícula apassivadora “se”, mais o “sujeito”.

Pois bem, qual é o problema da Voz Passiva?

Primeiramente, é possível confundir o uso do pronome “se”, o qual, em alguns contextos, pode vir a ser Índice de Indeterminação do Sujeito, ou seja, marca que na oração o sujeito não pode ser determinado (Precisa-se de professores). Neste caso, não é possível transformar a Voz Passiva Sintética em Voz Passiva Analítica, além disso, para esse caso, os verbos deverão ser transitivos indiretos, intransitivos ou de ligação.

Em segundo lugar, a Voz Passiva Sintética só acontece, gramaticalmente falando, quando verbo e “sujeito” (que mais parece um complemento verbal) concordam entre si. Ou seja, é como se esse “complemento” funcionasse como sujeito da oração, ou melhor, funciona como sujeito paciente na Voz Passiva Analítica (Alugam-se salas → Salas são alugadas).

Porém, percebam: mesmo em se tratando de uma regra gramatical, observa-se um problema em relação à classificação do sujeito? Na oração “Alugam-se casas”, quem está realizando a ação? As casas? Certamente, não. Então, pode-se concluir que o sujeito também é indeterminado, não é mesmo? Infelizmente, a gramática insiste em afirmar que esse sujeito é simples. Como assim, você deve estar se perguntando?

Pois é... É um dos problemas da nossa querida gramática. Ela, por si só, não dá conta de resolver esses problemas. Vejam: intuitivamente, você sabe que o sujeito não está marcado ali. Dessa forma, tanto faz se o verbo estiver no plural ou no singular (Aluga-se casas/Alugam-se casa), certo? No entanto, a gramática só aceita que o verbo esteja concordando com esse termo que vem logo depois da Partícula Apassivadora.



Você, provavelmente, já viu placas ou propagandas por aí escritas de maneira diferente, certo? Tais como “Joga-se búzios”, “Aluga-se casas”, “Vende-se lotes” etc. Observem que, mesmo grafadas de maneira “errada”, essas formas representam exatamente o que o falante quis informar: há alguém, não mencionado, que joga búzios, que aluga casas, que vende lotes. Ou seja, o brasileiro, todos os dias, usa corretamente essas formas sem cometer nenhum erro. No entanto, os gramáticos continuam insistindo nessa regra ultrapassada e sem sentido. Não estou dizendo que vocês devem abolir de vez a regra e seguir o que estou afirmando. Apenas quero ressaltar que há fenômenos na nossa língua que não são mencionados pelas gramáticas em geral.

Creio, ainda, que essa história de dar nomes de Partícula Apassivadora e Índice de Indeterminação do Sujeito também deve ser extinta. Para uma reorganização desse fenômeno, leiam o segundo livro que está nas referências abaixo, o qual foi escrito pelo professor Marcos Bagno. 

Certo é que o falante sabe das coisas e usa o Português Brasileiro todos os dias, com maestria e sabedoria. Por que não aceitar de vez ambas as formas como legítimas do nosso idioma, porém uma em variedades mais cultas, e outra em variedades mais populares? Ou mesmo que AMBAS ocorrem em contextos mais formais e menos formais?


Enfim, resta-nos esperar pelo reconhecimento do nosso verdadeiro idioma...


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M.. Português ou brasileiro? um convite à pesquisa. 3a Edição. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.

_____. Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

SCHERRE, M. M. P.. Doa-se lindos filhotes de poodle: variação lingüística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Crônica

Pessoal, boa noite!

Hoje vou compartilhar com todos uma de minhas crônicas preferidas.

Apreciem!


A ROSEIRA

Há sabedoria por toda parte, só basta olharmos com calma e refletirmos com paciência. Hoje minha avó decidiu que era hora de podar uma velha roseira que ela planta aqui em casa. Velha mesmo, porque desde que me lembro, minha bisavó era quem cuidava dela, da roseira. Tem época que dá rosas lindas, mas tem época que os galhos secam e é preciso cortar alguns. Porém, a roseira da minha avó tem uma peculiaridade: como toda roseira que se preze, é recheada de espinhos pontiagudos e traiçoeiros. Se encostar em um deles, vai saber que machucam.

Pois bem, vi minha avó levando uma pequena faca e um cutelo para realizar a penosa tarefa. Pensei comigo: “Coitada, não vai aguentar dar um golpe...” Pedi, então, que eu realizasse aquela tarefa, diga-se de passagem, chata e entediante.

Minha avó me orientou e disse quais galhos eu deveria podar. Uns mais grossos, outros mais finos, uns bem secos, outros cheios de espinhos. Ela dizia que precisava cortar no mês de agosto, porque em setembro estariam todos grandes, fortes e brotados de rosas. Nem dei tanto ouvido aos comentários dela, queria mesmo era derrubar aqueles galhos. Não satisfeito com as ferramentas que tinha em minhas mãos, pedi a ela que trouxesse um pequeno serrote, a fim de facilitar minha vida e terminar rapidamente aquela tarefa.
Ao poucos, percebi que os galhos antes pontudamente espinhosos e sinuosos caiam com golpes e movimentos serróticos. Alguns caiam em meus pés, outros furavam meus dedos que, mesmo portando um pano grosso para segurá-los, não era suficiente para evitar aquela roseira acupunturista. Ao final, sobrou apenas o toco principal e alguns pequenos galhos já estampando lindos brotos. Realmente, aquela roseira em seus dias de glória encantava os olhos de quem a admirasse (e agradava aos ladrõezinhos de rosas que insistiam e levar algumas). Em minhas mãos, os sinais de trabalho: galos e marcas de esforço para tentar cortar simples galhos de roseira. Além, é claro, de belas feridas de espinhos.

Aquela cena tocou-me profundamente, como se a própria planta ali ferida e desarmada quisesse dizer-me ou me ensinar algo: sim, como não percebi antes, aquela roseira é a vida de todos nós! Nossos galhos cheios de espinhos, de defeitos, estão sempre armados, caso alguém se sinta confortável para se aproximar de nós. Alguns de nossos galhos secam e caem naturalmente, talvez porque percebamos que eles não nos servem mais. Outros insistem em permanecer grossos, por nossa vontade ou falta de consciência.

Sempre haverá quem queira podar alguns galhos em nós. Talvez muitas mãos (ou corações) se encham de calos e marcas, mas, tal como minha vontade de cortá-los, essas pessoas não desistem, mesmo sabendo que se trata de um trabalho que deveria ser feito por nós mesmos. No fundo, sabemos que precisamos sempre de ferramentas mais potentes e poderosas para derrubar os galhos mais resistentes. Entretanto, por mais que nos esqueçamos, lá sempre brotarão as rosas de nossas virtudes. Lá, estrategicamente nascidas nas pontas dos galhos cheios de espinhos. Entre as folhas da paciência, da vontade, da perseverança e da fé, nascem as flores mais lindas de nossa essência.

Pensei comigo também: “Quantos galhos minha bisavó e minha avó já tiveram que cortar nesta vida... E quantos outros já o fizeram por ela... E mesmo vendo aquele toco feio e pobre, sabiam que aquilo era necessário, e que as flores sempre renasceriam belas e perfumadas...” Recolhi os galhos podados, juntei-os com velhos jornais e um plástico sujo que estava na garagem e lá se foi minha avó jogá-los fora... Sei que nascerão outros galhos espinhosos no futuro, porém agora sei por que devem ser podados...


Vamos observar outro fenômeno recorrente no Português Brasileiro, o qual representa nossa verdadeira forma de falar, escrever e usar nosso idioma.







Antes de qualquer coisa, é preciso que todos saibam que existe o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), o qual não é um órgão governamental, e sim uma ONG (Organização Não Governamental), formada por publicitários e profissionais de áreas diversas, que tem como objetivo, dentre outros, censurar previamente propagandas que ofendam ou agridam os consumidores ou segmentos da sociedade. Tal prerrogativa baseia-se, sobretudo, na linguagem empregada nas campanhas publicitárias brasileiras.

Pois bem, feitas as devidas apresentações, vamos nos concentrar naquele velho e conhecido modo verbal: o imperativo. Ele é usado quando se quer dar uma ordem, um conselho, um pedido ou uma sugestão. Gramaticalmente falando, a formação do imperativo na 2ª pessoa do singular é feita a partir da segunda pessoa do presente do indicativo, suprimindo-se o “s” da desinência verbal (Tu cantas → Canta tu). Entretanto, em alguns casos, quando o falante refere-se ao seu interlocutor como “você”, usa-se o presente do indicativo (Que ele/você cante → Cante você).

No Brasil, o uso dos pronomes pessoais possui particularidades, pois, na maioria das vezes e na maioria dos lugares, as pessoas se tratam por “você”, e não por “tu”. Quando esse último é utilizado, usa-se o verbo na terceira pessoa, e não na segunda (Tu canta). Ou seja, isso implica uma mudança direta no uso e na formação do imperativo pelos brasileiros.

Daí, você deve está se perguntando: o que tem a ver isso com o CONAR e com as propagandas acima? Simples: algumas delas foram proibidas de circularem no país, enquanto uma foi permitida. Isso aconteceu após análise daqueles que controlam as propagandas no nosso país. Apesar de se verificar que em todas elas há uso do imperativo, não é consenso afirmar o que pode ser considerado ofensivo ou não numa propaganda.

Vejam: as duas primeiras (Compre Baton/Beba Coca-Cola) foram proibidas, por serem consideradas ofensivas e expressarem uma ordem direta, quase como uma obrigação. Nos dois casos, temos o uso do imperativo levando-se em consideração o tratamento do interlocutor por “você”. Caso esses textos fossem reescritos, tendo como base o uso do pronome “tu” como tratamento ao interlocutor, teríamos, respectivamente, “Compra Baton” e “Bebe Coca-Cola”. Percebam que, mesmo intuitivamente, parece que há certo relaxamento na linguagem, ou uma forma mais branda de se solicitar algo, como se fosse um conselho ou uma sugestão?

No entanto, a propaganda “Faz um 21” não foi proibida no Brasil. Observa-se que no contexto apresentado, o interlocutor foi tratado por “tu”, mesmo que de forma “errada”, pois o correto, gramaticalmente falando, seria “Faze um 21”, forma quase desconhecida pelos falantes brasileiros. Se esse mesmo texto fosse reescrito utilizando-se como forma de tratamento o pronome “você”, teríamos “Faça um 21”, ou seja, muito mais ofensiva que a original. Obviamente, isso foi muito bem pensado e arquitetado pelos publicitários que criaram essa campanha, de modo a criar essa “sensação de relaxamento”. Além disso, por se tratar de um verbo irregular e anômalo, há essa particularidade no uso do imperativo.

Há, ainda, outros casos de orações que compõem propagandas de cerveja: nos casos de “Beba com Moderação” e “Aprecie com Moderação”, em ambos, o uso foi do pronome “você” como base para o imperativo. E por que não foram proibidas? Na minha opinião, porque não são exatamente os textos que falam sobre os produtos, e sim sobre o consumo do produto de maneira geral, algo como uma recomendação. Contudo, quem se lembra da propaganda “Experimenta!”? Nem preciso dizer por que foi proibida, não é mesmo? Pensem como seria diferente seu sentido, caso fosse reescrita como “Experimente!”.

Enfim, chegamos à conclusão de que o uso do imperativo no Brasil não segue uma regra específica, ou melhor, não há consenso sobre como devemos usá-los, tampouco o que é, de fato, ofensivo ou não na linguagem apresentada numa propaganda. Há uma complexidade muito maior do que aquilo considerado “certo” ou “errado” pelos gramáticos (e pelos manuais de gramática). É preciso, sobretudo, compreender o uso do pronome pessoal de 2ª pessoa, o qual, na sua maioria, é feito com o pronome “você”, mas que ainda conserva, em algumas regiões do país, a forma arcaica “tu”.

Leia (lês) e analise (analisa) tudo isso sem parcimônia!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M. Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

SCHERRE, M. M. P. Doa-se lindos filhotes de poodle: variação linguística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quando eu digo aos meus alunos que eu não consigo parar de pensar em gramática... hehehe... Vejam: nem nas férias eu consigo relaxar!




Estava eu assistindo à boa e velha televisão, quando passou esta propaganda do Governo Federal. Ela apresenta, a priori, duas possibilidades de interpretação. A depender da forma como a compreendemos, haverá sentidos diferentes:

a) Quando analisamos o verbo vencer como intransitivo, podemos observar que pode haver algum adjunto adverbial elíptico ao final da oração, como “Crack, é possível vencer” (sem medo), (sempre), (na vida), (com coragem) etc. Ou ainda, pode-se verificar um tipo de polissemia, como se a palavra “Crack” estivesse ligada à figura do bom jogador de futebol, que joga para vencer;

b) Se analisarmos o mesmo verbo como transitivo direto, aí nossa análise muda consideravelmente, pois é possível construir a mesma oração de três formas diferentes:
  •  “Crack, é possível combatê-lo”, em que há uma construção tipicamente da norma gramatical, na qual o pronome oblíquo retoma o vocativo e temos, nessa situação, uma retomada pleonástica, ou um objeto direto pleonástico;
  •  “Crack, é possível combater ele”, aqui temos um uso comum no Português Brasileiro na sua modalidade falada, na qual não há um alto grau de monitoramento. Percebe-se também uma tendência atual e natural no Brasil de se utilizar o pronome pessoal, que, geralmente, funciona como sujeito da oração, como complemento verbal (no lugar do oblíquo);
  • “Crack, é possível vencer”, a forma utilizada na propaganda, a qual demonstra, primeiramente, o conhecimento linguístico daqueles que a fizeram, pois utilizam o que é conhecido na literatura como “objeto nulo”, forma mais utilizada pelos falantes cultos. Essa forma representa o que há de mais moderno e atual no Português Brasileiro, no que diz respeito ao uso de variedades cultas.


Pois bem: nada na(da) língua é por acaso, já dizia o grande professor Marcos Bagno!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAGNO, M. Português ou brasileiro? um convite à pesquisa. 3.ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Retornando...

Bom, sinceramente, nem sei por que estou novamente com essa ideia de continuar a ter um blog. Tenho muita coisa escrita e precisava de um espaço para publicar. Enfim, vou utilizar este espaço para isso... Espero conseguir algum retorno após essa decisão! hehehe...

Boa noite!

(NÃO) TEM SENTIDO

Já não é possível saber quem tem razão. A cada notícia de manifestações, nos perguntamos por que tanta violência, tanta intolerância, tanta bagunça... Simplesmente, não sabemos quem está certo ou quem está errado.

Ninguém entende por que está reclamando, sobre o que está reclamando e contra quem está reclamando. É uma anarquia sem sentido, sem organização, fora de controle. Culpam-se os polícias pelos excessos, mas serão só eles os responsáveis?

Concordo com a maioria das pessoas que querem e desejam a mudança. Suas atitudes são louváveis e importantes para que as mudanças necessárias aconteçam. Porém, indago: será que tudo isso não se tornou banal? Será que já não se perdeu o sentido de tantas manifestações? Concordo também que as coisas não estão como deveriam estar, há muitos problemas, muita coisa para se resolver neste país, mas só manifestar resolve?

Os jovens de hoje perderam suas referências e já não sabem em quem se espelhar. Nossos heróis do passado sabiam contra o que estavam se rebelando, sabiam quais as causas e as consequências de suas atitudes. Não culpo os baderneiros de plantão, os arruaceiros que só procuram os conflitos: eles, infelizmente, já não sabem por que estão fazendo isso. Também não culpo os governantes corruptos: eles, infelizmente, já não sabem por que estão fazendo isso.

O Papa, enquanto esteve no Brasil, disse que o jovem que não manifesta não o agrada. Concordo plenamente. No entanto, será que estamos fazendo certo? Será que não estamos perdendo o controle de nossos próprios ideais? Perdendo o controle do que, de fato, estamos buscando?

Sim, são muitas provas de brasileirismo, de patriotismo, de preocupação com o nosso presente e com o nosso futuro. Contudo, ainda me pergunto se não há outras formas de se resolver isso. Se não estamos gastando desnecessariamente nossas energias com gritos de ordem e caminhadas. Saliva e sapatos são nossas ferramentas mais eficientes contra essa realidade difícil e impactante. Mas só isso é suficiente?
Não sei. Sinto que há algo muito estranho no ar. Mudar tudo não resolve. Mudar um pouco também não resolve. Deixar como está é retrocesso. Devemos deixar de pensar nas antíteses e buscar a síntese.

Sinceramente falando: o que queremos mudar? O que está fora, ou o que está dentro (de nós)? Aceitamos a vida com ela é? Socialismo e Comunismo são utopias necessárias, porém não estamos preparados para sermos iguais. 

domingo, 27 de maio de 2012

Psicólogo: Um profissional Desvalorizado

Boa noite!

Bom, mais uma vez, depois de muito tempo sem postagem, eis que surge uma nova publicação.

Hoje venho falar sobre a importância do Psicólogo para a sociedade e para a saúde das pessoas. Eu não sou formado em Psicologia, mas minha noiva é e, hoje em dia, compreendo a importância deste profissional.

Há duas semanas, tenho frequentado sessões com uma excelente terapeuta e, mesmo reconhecendo que ainda é um tempo muito curto para tirar qualquer conclusão, posso afirmar o quanto tem me feito bem este momento com uma profissional que estudou para fazer o que faz, ou seja, não é apenas alguém que te escuta e te fala o que você precisa escutar - isso é função do seu amigo(a) ou companheiro (a). Refiro-me a alguém que o auxiliar a se observar, a perceber fatos e pensamentos que você mesmo(a) não os percebe, ou não consegue, ou ainda não os quer perceber e aceitar. 

É fato que a importância do Psicólogo na sociedade traduz uma realidade que, se não chega a ser absolutamente catastrófica, não será modificada apenas pela vontade das pessoas. Percebi que é um profissional como qualquer outro, tal como um médico, um advogado, um engenheiro, um professor etc., que estudou bastante (pelo menos 5 anos), que acredita em sua teoria e metodologia e que se compromete com o que faz e o faz com propriedade. Logicamente, há muitos picaretas de plantão querendo "curar" a mente das pessoas. Isso, definitivamente, não traduz o trabalho que faz.

Eu mesmo tinha certo preconceito em relação ao trabalho do Psicólogo, talvez por não compreender o que ele fazia e como fazia. Atualmente, tenho me sentido muito bem e muito mais receptivo, atencioso, crítico e reflexivo sobre algumas de minhas ações e começo a compreender certas imagens que criei sobre mim mesmo e sobre os outros.

E mesmo aqueles que não atuam necessariamente como terapeutas, possuem a sua grande importância e dão a sua contribuição para a sociedade. Aos que trabalham nos departamentos de Recursos Humanos, hospitais, escolas, nas mais variadas modalidades esportivas, enfim, todos merecem o nosso respeito e admiração. Se parássemos para analisar a essencialidade de sua função e de seu trabalho, talvez repensaríamos até mesmo quais profissionais merecem maior atenção e reconhecimento por sua prestação.

Portanto, não adianta declararmos que nunca precisaremos recorrer ao trabalho destes profissionais, ou que somos inteligente demais para precisarmos de um, ou mesmo que não estamos loucos ou coisa parecida. É preciso, sobretudo, valorizar uma categoria tão malvista e tão importante para as pessoas que buscam viver bem e em sociedade. Eu respeito e apoio o trabalho do Psicólogo! E você?




quinta-feira, 26 de abril de 2012

Voltando...

Bom, após alguns meses de ausência, acho que estou precisando de terapia... Como ainda não posso pagar um bom psicólogo, vou escrever, porque é de graça, me faz bem e alivia minha ansiedade.

Nos últimos dias/meses/anos, tenho sempre prestado atenção a um tipo de crítica que, se analisada sem o devido cuidado, torna-se um tipo de preconceito muito comum, porém não tão reconhecido: o preconceito linguístico.

É de conhecimento geral a constatação de que algumas pessoas possuem dificuldade em lidar com a língua escrita, tornando-as alvo de chacotas, de piadas. Confesso que, em alguns momento, vejo que esses "erros" são motivos de risos, contudo, não deveriam ser.

Há que não concorde com a posição já consolidada da Linguística de que não há erros cometidos por falantes legítimos de um idioma, o que há (e eu concordo com essa visão) é uma discrepância entre o uso linguístico do falante e o contexto em que ele está inserido em um determinado momento de comunicação/interação verbal (seja oral ou escrita). Em outras palavras, por mais que o falante domine todas as regras de uso das variedades ditas populares e informais, ainda lhe falta o domínio, não linguístico, mas discursivo, pragmático, ideológico e social que determinados segmentos e gêneros textuais exigem.

Um exemplo prático de que um falante do português brasileiro não comete erros quando usa sua língua é o fato de ele, em hipótese alguma, construir uma oração da seguinte forma: "cinema menino ao o foi". Ora, todo falante da língua domina as regras estruturais desta, mesmo que em seu repertório falte recursos presentes e exigidos em usos de variedades mais formais e cultas da língua. Entretanto, um estrangeiro, falante nativo da língua inglesa, esforçando-se bastante para usar o português sem conhecer bem o idioma, poderia muito bem dizer "muita boa", pois não há marcas de mudança de gênero na expressão "very good".

Ocorre que, por ter sido vítima de um péssimo, insuficiente e fracassado modelo educacional, ou mesmo não ter tido acesso a nenhuma educação de qualidade, o falante precisa se inserir num mundo cada vez mais letrado, cada vez mais elitizado cultural e socialmente, apesar dos inúmeros esforços do governo em diminuir a distância entre ricos e pobres, e, não obstante, o papel da internet em universalizar o acesso a determinados conhecimentos.

Bom, acredito que esses inúmeros casos de intolerância sejam mesmo falta de conhecimento de muitos acerca da variação e da mudança linguísticas. Ao invés de criticarmos, por que não auxiliamo estas pessoas a se inserirem cada vez mais e com mais êxito num mundo cada vez mais dominado pelas palavras? Escrever errado não é um defeito, é, mais do que isso, um reflexo da realidade deste país e da força do ser humano de ser ouvido/lido e compreendido dentro de sua dura realidade.

domingo, 11 de março de 2012

Ausências...

Aos frequentadores do blog, boa noite. Peço desculpas pela ausência nesses últimos dias, mas minha saúde está me obrigando a descansar mais e ter menos atividades durante o dia. Vou postar notícias ou comentários nos próximos dias.

Enquanto isso, vou deixar a tradução de uma música que gosto muito.

Abraços!



The Verve - Lucky Man (Homem de Sorte)



Felicidade
Mais ou menos
É só uma mudança em mim
Algo em minha liberdade
Oh minha, minha
Felicidade
Indo e vindo
Eu vejo você me olhando
Veja minha febre aumentando
Eu sei exatamente onde eu estou

Mas quantas esquinas eu tenho que virar?
Quantas vezes tenho que aprender
Todo o amor que eu tenho está em minha mente?

Bem, Eu sou um homem de sorte
Com fogo em minhas mãos

Felicidade
Algo em minha casa
Eu estou pelado
Sorrindo, Eu não sinto nenhuma desgraça
Com quem eu sou
Felicidade
Indo e vindo
Eu vejo você me olhando
Veja minha febre aumentando
Eu sei exatamente onde eu estou

Mas quantas esquinas eu tenho que virar?
Quantas vezes tenho que aprender
Todo o amor que eu tenho está em minha mente?

Eu espero que você compreenda
Eu espero que você compreenda

Eu tenho amor que nunca irá acabar